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Filme 'Alguma Coisa Assim' se passa entre o Brasil e a Alemanha

Dirigido por Esmir Filho e Mariana Bastos, longa foi concebido ainda em 2013

Luiz Carlos Merten , O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2018 | 06h00

Muita gente já comparou Alguma Coisa Assim a um filme de Richard Linklater – Boyhood –, embora a semelhança, se existe, talvez devesse ser com a série Antes, com Ethan Hawke e Julie Delpy. Afinal, mesmo que tenha diferentes épocas dentro da sua narrativa – como Da Infância à Juventude, que é um filme só –, Alguma Coisa Assim retoma o curta de 2006, e deixa no espectador a promessa de que outro filme terá de ser feito, mesmo que seja outro curta – o que vai ocorrer com esses personagens?

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Calma, Alguma Coisa tem começo, meio e fim, não necessariamente nessa ordem, e é um filme em si mesmo. “Começou a nascer em 2013, quando tivemos vontade de retomar aqueles personagens que haviam ficado com a gente. Filmamos em São Paulo, e uma dificuldade foi o André (Antunes), nosso protagonista, que havia deixado de ser ator para ser psicanalista. Ele aceitou voltar e veio com uma visão muito madura, muito interessante do Caio. Inclusive, discutia os personagens de uma forma muito acurada com a Carol (Abras). Filmamos só em 2016 em Berlim, porque precisávamos de uma parceria. Entendemos o que você diz. A gente também acha que o filme termina de um jeito que deixa esse gosto de quero mais”, dizem, completando um a frase do outro, os diretores.

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Foi assim durante a filmagem, essa visão tão unitária da dupla? “Nós nos preparamos bastante, justamente para não confundir a equipe. E não era aquela coisa de um faz isso, outro faz aquilo. Fazíamos os dois”, diz Esmir. O filme espelha uma juventude atual, baladeira, em busca de si mesma? “O que a gente queria botar na tela era esses jovens que não querem viver seguindo rótulos. Ele é gay, ela é hétero, mas a situação evolui e lá pelas tantas rola um sexo que tem desdobramentos. O gênero pode até aflorar, mas o filme fala de afetos, sentimentos. E fala também de cidades. São Paulo, Berlim”, diz Mariana.

Cidade inscritas no espaço – e no tempo. A São Paulo da primeira balada transforma-se. O local vira um terreno baldio, onde provavelmente será erguido novo prédio. É um fim, mas também é um recomeço. “A vida é assim, é processo que a gente vai vivendo. Mari e Caio, os personagens, se transformam porque o tempo passa, o meio influencia e ninguém permanece exatamente o mesmo”, diz Esmir. A cena do casamento gay surgiu num momento em que o tema se impunha no País. A de sexo hétero é uma das belas do cinema atual. Sugere tudo sem mostrar nada demais. Dá a impressão de ter sido toda decupada, mas não foi. Esmir – “Essa cena nos deu uma trabalheira danada. Era necessária, seria feita num lugar, mas não deu. Tentamos outro, não deu. Finalmente, filmamos num parque, mas estava frio, havia chovido. André e Carol estavam nus, grudados um no outro em busca de calor humano. E a câmera ali em cima deles. Foi heroico. Tivemos uma equipe no Brasil e outra na Alemanha, todo mundo com crédito no fim”.

O som é brilhante. Lembra, pela intensidade, Praia do Futuro, de Karim Aïnouz, também rodado na Alemanha. O som é de algum alemão? “O desenho é do argentino Martín Grignaschi, nosso parceiro há anos e um fera do setor.”

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