Filme '2 Filhos de Francisco' exala amor pelas coisas genuínas do País

Filme '2 Filhos de Francisco' exala amor pelas coisas genuínas do País

E pensar que o extraordinário sucesso de público talvez não tivesse ocorrido, sem aquele ‘empurrãozinho’

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2017 | 06h02

Pode-se parodiar, pegando carona na animação. O que seria de nozes sem ajuda? Em 2005, consolidada a Retomada do cinema brasileiro, havia grande expectativa por um filme de vocação popular. 2 Filhos de Francisco chegou ao circuito cheio de ambição. A história de Zezé Di Camargo e Luciano, do megassucesso É o Amor. A bilheteria não correspondeu imediatamente. Se fosse hoje, 2 Filhos de Francisco teria sido retirado de cartaz – o que os produtores e diretores mais se queixam é de que não há mais tempo para boca a boca.

Fracasso? A distribuidora Columbia, por meio de seu executivo Rodrigo Saturnino, convenceu os exibidores a permanecerem firmes. O público começou a reagir, o boca a boca funcionou, o circuito ampliou-se. 2 Filhos de Francisco fez história como um dos maiores sucessos da história do cinema brasileiro. Dos cinemas para o palco, e em formato de musical, os filhos de Francisco ainda não esgotaram seu ciclo. Buscam novas audiências. Toda essa trajetória de sucesso precisou de uma ‘ajudinha’.

Diretor de fotografia consagrado – Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, de Carla Camurati –, Breno Silveira faz um cinema brasileiro que não se assemelha ao de nenhum outro autor. Seu desejo – sonho? – é colocar na tela as raízes do Brasil. O País rural, profundo, de Humberto Mauro em Francisco, o Rio da Cinédia em Gonzaga – De Pai Pra Filho e o ‘nordestern’ de Carlos Coimbra em Entre Irmãs, que estreia em outubro.

Há em Silveira um amor pelas coisa genuínas do Brasil. Alguns críticos acusam seu cinema de ser novelão. É clássico, com um perfume de melodrama à Luchino Visconti. E com muita música, sempre. A família é seu tema. Pai e filho. Irmãos. Seu Francisco, que não é mais Ângelo Antônio, vai lutar de novo para que os filhos soltem a voz, sejam reconhecidos. Não existe cinema industrial sem guerreiros como Silveira. 

 

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