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Filmagens trocam Hollywood por outros estados americanos e Canadá

Produção cinematográfica diminuiu 60% em Los Angeles durante os últimos 15 anos

EFE

08 de maio de 2013 | 19h23

A migração das filmagens de Los Angeles rumo a Atlanta, Nova Orleans e Vancouver, cidades muito mais flexíveis com relação aos impostos e que oferecem generosas concessões de créditos, é uma tendência que os candidatos à prefeitura da cidade californiana terão que atenuar.

A produção cinematográfica diminuiu 60% em Los Angeles durante os últimos 15 anos, enquanto a gravação de pilotos para televisão reduziu 31% apenas nos últimos cinco anos, segundo números da Film L.A., empresa que proporciona as permissões para filmar na cidade.

"Já não rodamos filmes em Los Angeles", disse à Agência Efe David Zucker, produtor da quinta parte da série de humor Todo Mundo em Pânico. "As últimas rodagens dessa franquia foram feitas em Vancouver e Atlanta. As finanças mandam", acrescentou.

Em Hollywood eram rodadas séries e filmes cujas histórias se desenvolviam em Nova York (I Love Lucy, Friends), Miami (Golden Girls), ou no sul do país (E o Vento Levou). Agora inclusive aqueles que se passam em Los Angeles são filmados fora da cidade (Invasão do Mundo foi filmado na Louisiana).

Essa indústria gera mais de 190 mil empregos e US$ 17 bilhões em salários na Califórnia. No entanto, entre 1997 e 2010 o Estado perdeu 36 mil postos de trabalho relacionados com filmagens que foram parar em outras cidades e inclusive outros países (Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Inglaterra, principalmente) com melhores incentivos fiscais.

A situação, embora tenha melhorado no primeiro trimestre do ano - 17,6% a mais do que no período de 2012 -, poderia mudar mais ainda se a porcentagem de devolução de impostos fosse mais alta e se reduzissem as restrições do custo do filme sem determinar onde é possível utilizar estes créditos fiscais, segundo fontes consultadas pela Agência Efe.

"Já não rodamos em Hollywood. Já não é aquele lugar onde eram feitos todos os filmes. Agora é mais seu centro de distribuição e a razão é simples: é terrivelmente caro filmar em Los Angeles", sustentou recentemente a atriz Emma Thompson em entrevista à Efe.

Eric Garcetti e Wendy Greuel, candidatos à prefeitura de Los Angeles nas eleições do próximo dia 21, têm profundos laços com a indústria - Wendy foi executiva da Dreamworks - e sabem qual deve ser a mensagem para conseguir os votos da população ligada a Hollywood.

Garcetti, apoiado por mais de 200 figuras proeminentes da indústria, lembra o papel que teve na aprovação da Taxa de Incentivos de Entretenimento Multimídia e na modernização de estúdios como Paramount, Sunset Gower e Sunset Bronson.

Wendy, que conta com simpatizantes como Steven Spielberg e Jeffrey Katzenberg, pretende aumentar os créditos fiscais e criar um gabinete centrado nos problemas do mundo do entretenimento.

Em novembro do ano passado, 21 das 23 filmagens de novas séries dramáticas iam acontecer fora do condado de Los Angeles. "Em anos anteriores, 80% de todas as gravações televisivas aconteciam aqui. Agora o número ronda 40%", indicou Paul Audley, presidente da "Film L.A.".

Atlanta e Nova Orleans são algumas das cidades mais beneficiadas pela situação vivida em Los Angeles, ainda conhecida como a capital do entretenimento mundial graças a seu magnífico clima e ao fato de ser o lugar onde todos os estúdios possuem sua sede.

"Infelizmente, não temos dinheiro suficiente para rodar na cidade", acrescentou Audley.

Em 2004, Nova Orleans recebeu a produção de 16 filmes e séries de televisão. Em 2012, o número aumentou para 50, segundo Katie Williams, diretora da "Film New Orleans", que apontou os incentivos nos impostos como chave para explicar a oscilação.

No mês de abril, os estúdios britânicos Pinewood, onde foram rodados muitos filmes de James Bond, anunciaram planos para inaugurar uma sede no sul de Atlanta.

A razão: a Geórgia, onde é filmada a série The Walking Dead e a sequência de Jogos Vorazes, que proporciona um crédito fiscal de 20% às empresas que gastem a partir de US$ 500 mil em filmagens. Além disso, os produtores podem receber 10% adicional se o projeto ajudar a promover o estado.

Em 2012, as filmagens no estado renderam US$ 3 bilhões em atividade econômica, um aumento de 30% se comparado com o ano anterior.

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