Fabio Motta/ Estadão
Fabio Motta/ Estadão

Filho do cineasta Eduardo Coutinho confessa ter matado o pai

Segundo o delegado, Daniel assumiu o crime e alegou que pretendia se suicidar

04 de fevereiro de 2014 | 16h06

O filho do cineasta Eduardo Coutinho, Daniel Coutinho, de 41 anos, confessou ter matado o pai e esfaqueado a mãe, no último domingo, no apartamento em que a família vivia, na Lagoa (zona sul do Rio), segundo a polícia. O delegado Rivaldo Barbosa, da Divisão de Homicídios, tomou o depoimento de Daniel nesta terça-feira, no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, também na zona sul, onde ele está internado. Após matar o pai e esfaquear a mãe, ele tentou se suicidar, desferindo facadas em si próprio.

No entanto, ele e a mãe sobreviveram. A mãe, Maria das Dores Coutinho, está internada em um hospital particular no Cosme Velho (zona sul). Segundo o delegado, Daniel assumiu o crime, e alegou que pretendia se suicidar e não queria deixar os pais “desamparados”. "Ele confessou o crime e explicou que tinha medo constante de viver e o objetivo era se suicidar, mas ele disse que não queria deixar os pais desamparados", afirmou o delegado. Barbosa afirmou que ainda não é possível afirmar se Daniel sofre de esquizofrenia, como foi relatado por amigos da família. “Não tem relação direta entre doença mental e prática de crime. O que importa é que o crime foi esclarecido”, afirmou.

O episódio. Maior documentarista em um século de história do cinema brasileiro, Eduardo Coutinho foi assassinado a facadas na manhã de domingo, 2, em casa, no Rio, aos 80 anos, pelo filho Daniel. Segundo amigos da família, o rapaz tem problemas mentais, faz uso de remédios controlados e é dependente de drogas. De acordo com o delegado Rivaldo Barbosa, diretor da Divisão de Homicídios, que investiga o caso, após esfaquear o pai, ele bateu na porta de vizinhos e disse: "Libertei o meu pai, tentei libertar minha mãe, tentei me libertar, mas não consegui". Em seguida, voltou para o apartamento e se trancou. Segundo a polícia, a mãe teria conseguido se desvencilhar de Daniel e, trancada em um dos cômodos, acionou o outro filho do casal, Pedro, promotor de Justiça em Petrópolis, na região serrana do Rio. E foi o próprio Daniel quem abriu a porta para a entrada dos bombeiros. O pai já estava morto. "Provavelmente ele estava em surto psicótico", acredita o delegado Barbosa.

Coutinho filma desde 1966 e é conhecido por filmes como Cabra Marcado para Morrer, considerado sua obra-prima, Edifício Master e Jogo de Cena

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