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Filho de Sebastião Salgado acredita na vitória de 'O Sal da Terra' no Oscar 2015

Longa sobre o fotógrafo foi indicado na categoria de melhor documentário; filme conquistou o Cesar nesta sexta-feira, 20

Ubiratan Brasil - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

21 de fevereiro de 2015 | 21h27

LOS ANGELES - As bolsas de apostas colocam o filme O Sal da Terra como o de menor chance a ganhar o Oscar de documentário, na cerimônia deste domingo, 22, em Los Angeles. O favorito, segundo a apuração, é CitzenFour (escreve-se junto mesmo). "Na verdade, como somos cinco concorrentes, acredito que a chance de cada um é de 20%", afirma Juliano Ribeiro Salgado, filho do fotógrafo Sebastião Salgado, tema do documentário.

Apesar da origem brasileira, o longa concorre como representante da França, por conta da produção. Mesmo assim, uma vitória seria comemorada como vitória nacional, acredita Juliano, que divide a direção com o alemão Wim Wenders.

O filme nasceu da admiração de Wenders pelo trabalho de Salgado, fotógrafo conhecido mundialmente por suas impressionantes imagens humanas ao redor do globo. "Certa vez, Wenders ficou impressionado com algumas imagens de Serra Pelada. Mesmo sem saber quem era o autor, comprou algumas cópias", conta Juliano. "Alguns anos depois, quando estávamos em Paris, Wenders ligou em nossa casa e disse que queria conhecer e trabalhar junto com o Sebastião."

Era o início de um projeto tortuoso que resultou em um belo documentário. Decidiu-se que o filme contaria a história de Sebastião Salgado, desde seu nascimento em Minas Gerais, em 1944, seu casamento com Délia, a mudança forçada para Paris por conta da ditadura militar e o início de uma consagradora carreira como fotógrafo.

Até esse momento, o documentário é alimentado por imagens e filmes pessoais de Salgado. Quando se torna fotógrafo profissional - uma corajosa decisão tomada por ele e a mulher, que investem as poucas reservas em material fotográfico -, o filme revela a formação de um grande profissional. Mais que isso, um artista profundamente preocupado com o humano.

Salgado passa a frequentar os diversos pontos do planeta onde o homem passa por situação inusitada. Assim, do garimpo de Serra Pelada à guerra em Ruanda, passando pela fome devastadora da Etiópia, inicia-se a coleção de retratos impressionantes.

Ao mesmo tempo que cobre essa trajetória, o filme mostra como a ausência do pai (que chega a passar anos fora de casa) cria uma ausência na formação do jovem Juliano. "Éramos estranhos um para o outro e a rodagem desse filme acabou nos aproximando", revela o cineasta.

A forma como que a história é contada, no entanto, não surgiu de maneira tranquila. Juliano, que acompanhou e registrou o trabalho do pai em algumas passagens, ficou encarregado de uma primeira edição do material. Ao observar o trabalho, meses depois, Wenders não gostou e reagiu de forma até raivosa, surpreendendo Juliano, acostumado à imagem de um homem gentil.

Com o material bruto na mala, Wenders voltou para a Europa, onde também não conseguiu dar um contorno final. "Resolvemos então que o material seria editado conjuntamente", observa Juliano. Apesar da conturbada construção, o longa revela detalhes delicados que não levantam qualquer suspeita. Concorrente ao Oscar, ganhou, na noite de sexta-feira, o Cesar de melhor documentário.

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