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Filho de pedreiro, Burlan constrói filmes com maestria

Com filmes premiados no festival de documentários É Tudo Verdade, cineasta faz seu primeiro filme com patrocínio

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2020 | 05h55

Cristiano Burlan não se esquece de uma matéria no Estado. Em 2007, ele apresentava Construção no Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade. Era o ano de Santiago, de João Moreira Salles, e o texto no jornal relacionava os dois filmes: no título, se refeira ao “filho do banqueiro”; e destacava, abaixo, a produção do “filho do pedreiro” . Longe de qualquer preconceito, era um reconhecimento às qualidades de ambos. Burlan ainda demorou alguns anos, mas em 2013 venceu o É Tudo Verdade com Mataram Meu Irmão. No ano passado, de novo no festival de documentários, mostrou Elegia de Um Crime.

Cristiano veio da periferia de São Paulo. Poderia ser um desses jovens cuja história conta no novo filme. Mataram seu irmão – na realidade. A mãe também foi morta – pelo namorado, mais uma vítima a engrossar as estatísticas de feminicídio no País. O cinema virou sua ferramenta de superação – e para entender o mundo. Burlan documentarista, ficcionista, ensaísta.

A Mãe é a primeira ficção de Burlan com patrocínio, isto é, com dinheiro. O documentário Elegia de Um Crime também já teve verba. Ambos prrosseguem com um rigoroso trabalho de investigação da linguagem, e da realidade. Desde 2006, com Corações Desertos, tem sido (mais de) uma década prodigiosa. Burlan filma muito, e filma bem.

A par dos documentários, construiu a Tetralogia em Preto e Branco com os filmes Sinfonia de um Homem Só (2012), Amador (2014), Hamlet (2014) e Fome (2015), premiado em Brasília. Antes do Fim, de 2017, venceu o prêmio especial do júri de cinema da APCA. Parte das personas de Jean-Claude Bernardet e Helena Ignez para imaginar uma situação extrema – ele, como paciente terminal, a chama para um duplo suicídio, que não se concretiza.

Cinema nas bordas. O ponto de partida do novo longa é ficcional. Marcélia Cartaxo não é camelô no Centro de São Paulo, não vive no Jardim Romano, mas a história de sua personagem reflete a tragédia de incontáveis mães cujos filhos são vítimas da violência do Estado. O próprio Jardim Romano é personagem. Localizado no extremo leste da cidade, o bairro possui uma efervescente vida cultural, incluindo o grupo de teatro Estopo Balaio, que já foi tema de um documentário de Burlan.

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