Ana Alexandrino
Ana Alexandrino

Filha de Glauber, Ava Rocha faz performance na Flip, lembrando os 80 anos do pai

A cantora e compositora vai se apresentar antes da exibição do clássico de 1964 'Deus e o Diabo na Terra do Sol', que agora ganha cópia restaurada; assista ao trailer

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2019 | 03h00

Ava Rocha fala muito em ‘circunstâncias’ para reafirmar a importância e atualidade da obra de seu pai, o lendário Glauber. Não é só como filha, mas como cinéfila – e artista – que ela reverencia a integralidade dessa obra que tem resistido ao tempo. Mas tem seus favoritos – “Filmes como Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe, Câncer, O Leão de Sete Cabeças e A Idade da Terra abordam questões que continuam na pauta. Refletem exatamente o momento que atravessamos porque desigualdade social, a questão fundiária, etc., estão sofrendo forte pressão nesse momento.”

Deus e o Diabo faz parte do imaginário de todo cinéfilo que se preze. A trilha de Sérgio Ricardo, as Bachianas de Villa-Lobos. Te entrega, Corisco. Mais fortes são os poderes do povo e o sertão vai virar mar, a mítica corrida de Manuel/Geraldo Del Rey sertão adentro, seu encontro com as águas do mar.

Toda grande obra de arte carrega seu mistério, seu significado. Às vezes, você revê um filme que parece muito conhecido e descobre novas coisas. A ressignificação pode estar ligada à mudança de quadro, às circunstâncias em que o espectador revê a obra. 

Na quinta-feira, 11, a 17.ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) abrirá espaço, às 22h, no auditório da Praça, para projetar Deus e o Diabo. Faz todo sentido.

A festa deste ano homenageia Euclides da Cunha, e Os Sertões, que foram referências para Glauber. Ava fará uma performance de apresentação do filme, de 15 minutos. Cantora e compositora, artista, ela promete uma viagem pelas sonoridades – música + ruídos – que há 55 anos (Deus e o Diabo é de 1964) não param de fascinar.

Como filha, Ava Rocha assume como uma responsabilidade manter e divulgar o legado de seu pai, mas não assume isso como um fardo. É livre, leve e solta que ela vai cantar Glauber – e Sérgio Ricardo, Villa-Lobos –, recitar sua poesias.

“Será minha travessia pela riqueza e complexidade da obra dele, uma obra que se mantém sempre viva pelas próprias circunstâncias do momento atual. As questões progressistas que Glauber formulou e fez avançar estão sofrendo um retrocesso. Há que lutar por nossas crenças, de novo transformar a estética da nossa fome em estética do sonho, como ele fez.” 

A cópia não é nova, mas está totalmente restaurada. “Não é um restauro que vamos celebrar, mas os 80 anos de nascimento do meu pai.” Os 80 anos de Glauber, que nasceu em 14 de março de 1939, em Vitória da Conquista, Bahia. Ele morreu em 22 de agosto de 1981, mas todo esse tempo esteve presente, pelo debate que (ainda e sempre) provoca.

 

 

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