Festival toma a cidade do Rio como referência

Ilda Santiago, uma das organizadoras do Festival do Rio BR 2001, explica a escolha de O Xangô de Baker Street para inaugurar, amanhã à noite, o evento patrocinado pela BR Distribuidora. A escolha representa a síntese da programação, que tem a cidade do Rio de Janeiro como referência para um cinema sem fronteiras: o filme, baseado no best seller de Jô Soares, integra o inglês Sherlock Holmes e a francesa Sarah Bernhardt a uma trama policial desenrolada na capital do Império. Xangô é um dos 41 filmes brasileiros, entre longas e curtas, que poderão ser vistos até o dia 8. Os destaques da participação brasileira ficam por conta dos programas que integram a Premire Brasil. É a seção do festival que mostra dez filmes selecionados para disputar, pelo voto popular, os prêmios em dinheiro que a BR oferece, como apoio à comercialização.Cinéfilo declarado - "Sou um hitchcockiano de carteirinha" -, Luiz Antônio Viana foi sempre um incentivador, não só do Festival do Rio, mas também do apoio que a BR Distribuidora deu ao cinema brasileiro, durante sua gestão na presidência da empresa. Não foi um capricho de fã de cinema, mas uma opção bem-sucedida na consolidação da marca, que ganha, por meio dos filmes e eventos aos quais a BR associa seu nome, uma visibilidade extraordinária. Viana enfatiza que foi sempre um trabalho de equipe e, por isso mesmo, garante que sua saída da BR Distribuidora, que deveria ser oficializada na reunião de amanhã do conselho - transferida para dia 1.º -, não vai afetar a linha de trabalho que terá continuidade com Júlio Bueno na presidência e Eleonora de Martino na gerência de patrocínio.A própria Eleonora assegura que a BR Distribuidora vai continuar investindo em seus programas de patrocínio e não apenas no cinema brasileiro (o MPBR também é um sucesso). No quadro do evento, o público vai ver as novas peças de propaganda da empresa. Seguindo a linha daquilo que foi feito com Carlota Joaquina, de Carla Camurati, os novos filmes publicitários pegam carona em quatro produções: Villa-Lobos, de Zelito Viana, Tieta do Agreste, de Carlos Diegues, Amores Possíveis, de Sandra Werneck, e Castelo Rá-Tim-Bum, de Cao Hamburger. Eleonora confirma a manutenção dos quatro grandes projetos já anunciados pela BR: o Museu do Cinema Brasileiro, no Rio, o Prêmio BR de Cinema, a construção de um multiplex com sete salas voltadas à difusão do cinema nacional, e a Academia Brasileira de Cinema (que vai atribuir o Prêmio BR).Os longas de ficção que integram a seleção da Premire Brasil 2001 são: Bellini e a Esfinge, de Roberto Santucci Filho, baseado no livro de Tony Bellotto; Uma Vida em Segredo, de Suzana Amaral, adaptado do romance de Autran Dourado; Urbânia, de Flávio Frederico; Latitude Zero, de Toni Venturi; e Duas Vezes com Helena, de Mauro Farias, que se baseou no conto de Paulo Emílio Salles Gomes. Os documentários são: Nem Gravata nem Honra, de Marcelo Masagão; Onde a Terra Acaba, de Sérgio Machado; A Negação do Brasil, de Joel Zito Araújo; A Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho; e O Fim do sem Fim, de Beto Magalhães, Cao Guimarães e Lucas Bambozzi. Fora de concurso, serão exibidos: Dias de Nietzsche em Turim, de Júlio Bressane, e Lavoura Arcaica, que Fernando Carvalho adaptou do romance de Raduan Nassar.

Agencia Estado,

26 de setembro de 2001 | 19h40

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