Festival reflete a ousadia e a diversidade dos curtas

Sim, você vai poder ver os curtasvencedores dos mais importantes festivais de cinema de todo omundo: Cannes, Berlim, Oberhausen. Eles integram a programaçãodo 13.º festival internacional do formato, que começa amanhã em São Paulo e vai até o dia 31, em nove salas. Duas delas, asde cinema e vídeo, estão no Centro Cultural Banco do Brasil. Asoutras são: Museu da Imagem e do Som, CineSesc, Espaço Unibanco,Centro Cultural São Paulo, Cinusp, Faap e Museu de Arte Moderna.Os curtas da mostra internacional sempre despertam um interessemuito grande, mas é bom ficar atento à mostra latina e aoPanorama Brasil.Essa última vai exibir 67 títulos, garimpados entre os160 submetidos à comissão de seleção. São tantos (juntando asdemais programações, serão 105 curtas nacionais) que até pareceinjusto selecionar dois ou três. Pois bem: mesmo com risco decometer injustiça, cabe destacar os dois vencedores dos prêmiosda categoria no recém-concluído Festival de Gramado. Como seMorre no Cinema, de Luelane Loiola Corrêa, ganhou os prêmiosde melhor filme do júri oficial, do júri popular e da crítica.Ao contrário do longa Durval Discos, de Anna Muylaert, não háo que objetar nessa tríplice vitória que equivale a umaconsagração. O filme de Luelane é ótimo e ainda homenageia umdos clássicos do cinema brasileiro: Vidas Secas, que NelsonPereira dos Santos adaptou do romance de Graciliano Ramos, nosanos 1960. Igualmente belo, com seu delicado olhar feminino, é ocurta que ganhou o Kikito de melhor direção: Dona CristinaPerdeu a Memória, de Ana Luiza Azevedo.Com patrocínio da Petrobras, por meio do programaPetrobras Cinema, o 13.º Festival Internacional de Curtas de SãoPaulo terá extensões no Rio (de 30 a 1.º de setembro, no EspaçoLeblon e na Casa de Cultura Laura Alvim), em Santos (de 2 a 4,no Cine Indaiá) e em Porto Alegre (de 5 a 7, na Usina doGasômetro). É o sonho de Zita Carvalhosa que vai se realizando.Há 13 anos, ela criou um modesto festival de curtas. O eventocresceu, é hoje considerado o mais importante do formato naAmérica Latina e um dos cinco maiores em todo o mundo. E jáviaja pelo Brasil, levando a outras cidades esse panorama amplo,senão necessariamente completo, do que de melhor se faz emmatéria de curtas-metragens na atualidade.Todo ano Zita escolhe um tema que se constitui no focodominante do seu festival. No ano passado, foi o olhar feminino.Este ano é a formação do olhar, que alimenta os workshops - aschamadas Oficinas Kinoforum - estimulando a exibição e discussãode experiências audiovisuais realizadas junto a comunidadescarentes, grupos indígenas e de jovens. As oficinas do Festivalde Curtas têm investigado o universo da periferia com resultadosapreciáveis.Zita observa que o Festival Internacional de Curtas deSão Paulo foi uma das primeiras vitrines do digital no País,quando a nova tecnologia surgiu, apontando caminhos. Hoje em dia passou o deslumbramento e o digital, anunciado como a ponta dademocratização da produção - por ser barato -, na verdade aindaé caro por causa da exibição. O sistema, com raras exceções,baseia-se em película, o que obriga a fazer o transfer domaterial captado em vídeo (como costuma ocorrer nas oficinas).Ela não duvida que o futuro seja mesmo digital e promete que aprojeção também será digitalizada, em seu evento, nos próximosanos. O festival, definitivamente, está aberto às novastécnicas.Haverá muito o que ver nos próximos dez dias. O curtavitorioso de Berlim - Alvorada, de Martin Jones -, sobre ascircunstâncias bizarras de um suicídio; o vencedor de Cannes -Depois da Chuva, de Peter Meszáros -, sobre uma fuga seguidade triste retorno; e o provocativo Vovó, Hitler e Eu, dosueco Carl Johan de Geer, que discute o nazismo. Você talvez játenha visto o curta de Walter Salles e Daniela Thomas, UmaPequena Mensagem do Brasil - A Saga de Castanha e Caju contra oEncouraçado Titanic, mas agora poderá ver a íntegra dos curtasque compõem a série Dez Olhares de Cineastas sobre aGlobalização, organizada pela revista Cahiers du Cinéma (e àqual pertence a mensagem de Salles e Daniela). O 13.º FestivalInternacional de Curtas vai confirmar a diversidade, a ousadia ea criatividade do formato.13.º Festival Internacional de Curtas-Metragens de SãoPaulo. Grátis. Até 1.º/9.Centro Cultural Banco do Brasil - Sala de Cinema. Rua ÁlvaresPenteado, 112, tel. 3113-3651- sexta-feira, a partir das 14h30;de terça a domingo, a partir das 12h30.Centro Cultural Banco do Brasil - Sala de Vídeo. Rua ÁlvaresPenteado, 112, tel. 3113-3651- sexta-feira, a partir das 18h;sábado e domingo e de terça sexta (dia 30), a partir das 12h.Centro Cultural São Paulo - Sala Lima Barreto. Rua Vergueiro,1.000, tel. 3277-3611- diariamente, a partir das 16h.CineSesc. Rua Augusta, 2.075, tel. 3022-0213. Amanhã (22), apartir das 21 h, abertura somente para convidados; sábado edomingo, a partir das 15h; sexta, e de segunda a quinta, apartir das 17h.Cinusp. Rua do Anfiteatro, 181, Favo 4, Colméia, CidadeUniversitária, tel. 3818-3540 - de segunda a sexta, a partir das12h30.Espaço Unibanco 4. Rua Augusta, 1.470, tel. 288-6780 - sexta, ede segunda a quinta, a partir das 17h; sábado e domingo, apartir das 15h.Faap. Rua Alagoas, 304, tel. 3662-1662 - de segunda a sexta(dia 30), a partir das 11h.MAM - Museu de Arte Moderna. Avenida Pedro Álvares Cabral,s/n.º, portão 3 do Parque do Ibirapuera, tel. 5549-9688 - sábadoe domingo, a partir das 14h.MIS - Auditório. Avenida Europa, 158, tel. 3062-9197 - de sexta a domingo e de terça a domingo (dia1.º/9), a partir das 16h; segunda, a partir das 18h. Patrocínio:Petrobras.

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