Festival põe o Brasil na rota do cinema digital

Criado em 1996, o Resfest -Festival Internacional do Cinema Digital - há anos movimentacidades como São Francisco, Chicago, Los Angeles, Londres, Seul,Tóquio, Nova York, Seattle e Osaka. A partir deste ano, ofestival chega ao Brasil e com o mesmo objetivo: oferecer umpanorama amplo da produção digital, promovendo filmes inovadoresque utilizam essa ferramenta. A iniciativa de trazer o Resfestao País é dos diretores Philippe Neiva, dos Estúdios Mega, eJodele Larcher, da Innova Produções. O evento começa amanhã em São Paulo no MuBE e vai até domingo. De 13 a 16, realiza-seno Rio, no Cine Odeon, na Cinelândia.Definindo seu festival como de vanguarda, para pessoasantenadas, Neiva diz que estão sendo investidos R$ 200 mil nessaprimeira edição. "O importante é inserir o Brasil no contextointernacional, trazendo para o País uma discussão que jámobiliza artistas de ponta em todo o mundo." Para inaugurar oprimeiro Resfest de São Paulo, foi escolhido um filme muitoespecial. O Invasor, de Beto Brant, com o titã Paulo Miklos,que acaba de receber prêmios importantes no Festival deBrasília. Foi o melhor filme para os críticos e ganhou oCandango de direção, oferecido pelo júri oficial - que teve ainsensata idéia de lotear os prêmios de uma maneira absurda.Para ficar bem com todo o mundo talvez não tenha ficado bem comninguém. É o preço pela falta de coragem em bancar decisões.Há uma questão técnica em O Invasor. Beto Brant, otalentoso diretor de Os Matadores e Ação entre Amigos,filmou em 16 mm, fez a telecinagem em HD, high definition, e vailançar o filme nos cinemas, no ano que vem, em cópias de 35 mm.A exibição no festival será em HD. "A projeção vai ser um showtotal", garante Brant. "A imagem está 100%, não sei como seráo som, mas as pessoas podem se preparar para ver uma coisa muitobacana." Existe a técnica, portanto, mas ela não esgota o queO Invasor tem a oferecer. Não é de hoje que o cinema deBrant aposta numa dramaturgia forte para expressar o Brasil.Os Matadores abriu a trilha da fronteira paraguaiapara revelar um Brasil de sicários, marcado pela violência.Ação entre Amigos, que, de certa forma é menos logrado queOs Matadores, segue a trilha inversa de um filme como OQue É Isso, Companheiro? Ao contrário de Bruno Barreto, que,tentando dar voz a torturados e torturadores, fez um filmefalsamente apaziguador sobre a guerrilha, Brant não teve medo depôr o dedo na ferida para descobrir que as cicatrizes aindaestão abertas. E há agora O Invasor. Brant expõe o nervo daquestão social brasileira, mostra as contradições edesigualdades de uma metrópole como São Paulo, que concentra ariqueza do País e na qual os excluídos são uma legião.Existem, portanto, motivos de sobra para se assistir aO Invasor na sessão de abertura do Resfest - ou você vaiquerer esperar pelo filme só em 2002? Além de vê-lo amanhã naprimeira sessão pública de O Invasor na cidade, você terá achance de assistir ao filme com todos os recursos que a projeçãodigital, em high definition, pode oferecer. Na seqüência, opróprio Brant estará no MuBE discutindo a técnica, a estética ea dramaturgia de seu filme. É uma produção barata, o primeirodos 11 projetos de baixo orçamento - teto de R$ 1 milhão -, queo concurso do MinC selecionou em janeiro do ano passado, a ficarpronto. Feliz com o prêmio de direção em Brasília, Brant admitecerta frustração. "O prêmio que fica para a história é o demelhor filme." Brasília também dá um bom prêmio em dinheiropara o melhor filme, que ajudaria bastante no lançamento de OInvasor.Ele aproveita para destacar que a exibição de amanhã éum reconhecimento à importância da parceria da Mega narealização do filme. Sem o aporte do estúdio - O Invasor foifinalizado nele -, Brant talvez ainda estivesse penando em buscade recursos para a conclusão do projeto. A exibição e o debatede amanhã são o ponto de partida para três dias de muitasprojeções de filmes, enriquecidas por seminários e workshops quevão debater temas como criação de conteúdos e distribuição devídeo digital na Internet. Você já ouviu, com certeza, aafirmação de que o futuro é digital. O futuro começa amanhã, noMuBE, trazido pelos Estúdios Mega. Há várias mostras de curtas,alguns longas - entre eles Blood: The Last Vampire, do Japão o primeiro desenho de longa-metragem inteiramente animadodigitalmente - e dois blocos especiais. Cinema Eletrônico mostrafilmes produzidos especificamente para música eletrônica e TheState of the Art of Film Titles vai exibir as melhoresaberturas de filmes feitas para Hollywood.Resfest - Festival Internacional de Cinema Digital.Ingressos: R$ 8,00 (curtas, videoclipes, animação) e R$ 12,00(longas). MuBE. Avenida Europa, 218, tel. 3081-8611. Até 9/12.

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