Festival leva cultura brasileira a Paris

Com a projeção de O Homem do Ano, de José Henrique Fonseca, será inaugurado esta noite no cinema Arlequin, em Saint-Germain-des-Près, o Festival do Cinema Brasileiro de Paris, que vai até o dia 1.º, compreendendo diversos eventos paralelos como shows, mesas-redondas, lançamentos de livros e exposições de artes plásticas. Promovido pela associação cultural franco-brasileira Jangada (com sede em Paris) e recebendo o apoio de instituições dos dois países, o festival, em sua quinta edição, converteu-se em prestigiosa vitrine do cinema brasileiro na Europa, como reconheceu, ontem, o diretor francês Costa-Gavras, ao receber os organizadores do evento. Durante seis dias, mais de 60 filmes, longas e curtas, serão projetados nas duas salas (700 lugares) do Arlequin, entre os quais dois clássicos do Cinema Novo que os franceses sempre celebram: Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, e Os Fuzis, de Ruy Guerra. Para que a nova produção brasileira seja submetida ao "olhar profissional direto dos franceses", a presidente da Jangada, Katia Adler, convidou este ano personalidades com presença marcante na indústria cinematográfica da França e da Europa para o júri encarregado de atribuir os prêmios aos longas, que serão exibidos com a presença de seus diretores. O diretor do Mercado de Filmes de Cannes, Jacques Arlandise, presidirá o júri que tem ainda a produtora Martine Clermont Tonerre (participou da produção de Central do Brasil), Christophe York, diretor do setor filmes do canal franco-alemão Arte, e Jerôme Paillard, diretor da Escola de Cinema Louis Lumière. Concorrem aos prêmios dez filmes, entre eles, Narradores de Javé, de Eliane Caffé (Kenoma), que foi premiado no último fim de semana com o Prêmio da Crítica no Festival Internacional de Cinema de Friburgo (Suíça). E ainda: Amarelo Manga, de Cláudio Assis; Houve Uma Vez Dois Verões, de Jorge Furtado; Dois Perdidos numa Noite Suja, de José Joffily; Edifício Master, de Eduardo Coutinho; Que Será, Será, de Murillo Salles; Radio Favela, de Helvécio Ratton; Rocha Que Voa, de Eryk Rocha; Separações, de Domingos de Oliveira, e Viva Voz, de Paulo Morelli. Katia Adler explicou à Agência Estado que, "diante da riqueza, beleza, caráter inovador e repercussão cada vez maior na Europa da produção brasileira de curta em seus diferentes gêneros", o festival, a partir deste ano, passará a lhe render as devidas homenagens. A principal expressão desse reconhecimento serão os prêmios a que concorrerão os 12 curtas. Foram selecionados: Bloqueio, de Cláudio Oliveira; À Margem da Imagem, de Evaldo Mocarzel; Morte, de José Roberto Torero; Um Sol Alaranjado, de Eduardo Valente; Zagati, de Edu Felistoque e Nereu Cerdeira; O Poço, de Tarcisio Lara Puiati; Remédios de Amor, de João Vargas; Como se Morre no Cinema, de Luelane Loiola; A Canga, de Marcus Vilar; O Arraial, de Oto Guerra e Adalgisa Luz; No Passo da Véia, de Jane Malaquias, e O Lobisomem e o Coronel, de Elvis Kleber e Italo Cajueiro. Entre as mesas-redondas programadas, destacam-se as que, nos auditórios Sorbonne, da Maison de l?Amérique Latine e do Forum des Halles, tratarão dos temas: O Cinema Experimental Brasileiro dos Anos 70, O Sertão no Cinema Brasileiro, Sonho e Realidade, e A Co-Produção entre a França e o Brasil, as Novas Formas de Financiamento. Do programa de exposições constam, entre outros, o documentário fotográfico de Marco Dierchxs sobre os índios do Xingu; xilogravuras da literatura de cordel, do mestre José Borge e as pinturas Cores do Brasil, de Marcia Kikuch. No Arlequin serão lançados dois livros: O Livro das Ignorãças, do poeta mato-grossense Manoel de Barros, e Mitos do Sertão, Emergência de uma Identidade Nacional, da francesa Sylvie Debs. Na parte musical, Elza Soares, Mariana Moraes, Julio Dain, Ricardo Tepperman e o conjunto Cabruera serão as atrações do festival que se encerrará com homenagem à atriz Marieta Severo.

Agencia Estado,

25 de março de 2003 | 11h32

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.