Festival Judaico de Cinema termina segunda

Houve aplausos entusiásticos no fim da sessão de The Believer, na quarta-feira, no CineSesc. Repetiram-se na quinta, na Hebraica, quando o filme de Henry Bean foi reprisado. E havia espectadores de pé, no domingo, no Museu da Imagem e do Som (MIS), para ver o genial Kippur, de Amos Gitai. Só esses dois filmes justificariam a existência do Festival do Cinema Judaico, que chega este ano à sua sexta edição. O evento termina segunda-feira à noite, quando o júri presidido por Leon Cakoff e integrado pelo diretor André Klotzel (de Memórias Póstumas) e pela jornalista Isabela Boscov anuncia os vencedores da mostra competitiva.Antes disso, domingo à tarde, também na Sala Arthur Rubinstein, da Hebraica, passa o novo filme de Ettore Scola, Concorrenza Sleale. Passa fora de concurso e nele o grande diretor italiano discute a vida difícil dos judeus sob o fascismo, por meio da amizade entre um católico (Diego Abatantuono) e um judeu (Sergio Castellitto). Gérard Depardieu faz um pequeno papel, como o irmão de Abatantuono e o nome de Scola torna imperdível o filme que será distribuído no Brasil pela Pandora. Ainda domingo, haverá uma sessão extra, às 11 horas, na Hebraica. Será exibido o filme de Agnieszka Holland The Dibbuk (O Espírito), precedendo um debate sobre a cabala que terá a participação de Jacob Guinsburg e do diretor Sílvio Bandi, que montou a peça de Szymon An-Ski no País.A cada ano, o Festival do Cinema Judaico aumenta sua importância no calendário cultural de São Paulo. Para a dimensão que o evento com curadoria de Glória Manzon adquiriu este ano - a realização é da Associação Hebraica e o patriocínio do Bradesco e do Bradesco Seguros - contribuiu, e muito, a retrospectiva de Amos Gitai, que trouxe à cidade o diretor de filmes engajados e cinematograficamente brilhantes, como Kadosh e Kippur. Hoje desembarcam em São Paulo a atriz Tinkerbell e o produtor Eyal Shirai. Vêm prestigiar a apresentação, às 21 horas, no MIS, do filme que foi o grande vencedor do Oscar do cinema israelense no ano passado.O Arranjo, de Joseph Cedar, é um thriller político sobre militar colhido no jogo de tensões que envolve o radicalismo religioso em Israel, na atualidade. O filme tem um desfecho inconclusivo que é interessante, mas o diretor Cedar parece muito preocupado com a eficiência do seu relato, recorrendo a facilidades dramáticas para garantir a participação emocional do público. Logo após a projeção, haverá debate do produtor e da atriz com os espectadores. A expectativa do MIS é de repetir a sala cheia de Kippur, que permanece como a obra de maior impacto deste festival, mas não concorre a prêmios. O favorito é The Believer, que já ganhou o prêmio do público em Sundance. Conta a história de um estudante yeshiva que adere ao movimento fascista e o diretor usa a contradição para falar sobre a identidade dos judeus. A origem do filme está numa notícia que saiu no The New York Times, em 1965, sobre jovem judeu que entrou para a Ku Klux Klan. The Believer passa amanhã (11), às 19 horas, no MIS.6.º Festival de Cinema Judaico de São Paulo - Paixão e Coragem - Locais: MIS. Avenida Europa, 158, tel. 3062-9197. A Hebraica. Rua Hungria, 1.000, tel. 3818-8888. Centro Brasileiro Britânico. Rua Ferreira e Araújo, 741, tel. 3038-6930. CineSesc. Rua Augusta, 2.075, tel. 3082-0213. Até domingo. Grátis

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