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Festival Internacional do Documentário Musical 2020 apresenta cardápio dos mais refinados

In-Edit, neste ano online, resgata grandes instrumentistas, como Garoto, e vai até o dia 20 de setembro

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2020 | 16h14

Precisamos de música e paciência para enfrentar a pandemia e as intempéries políticas do País. Paciência é por conta de cada um, mas música haverá em abundância no In-Edit, já iniciado, em versão online. 

O Festival Internacional do Documentário Musical 2020 apresenta cardápio dos mais refinados, em especial em sua competição brasileira. 

Garoto - Vivo Sonhando, de Rafael Veríssimo, resgata a figura de Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, um dos maiores instrumentistas brasileiros de todos os tempos. Compositor de Gente Humilde e Duas Contas, Garoto foi menino prodígio, tocou vários instrumentos de corda e até inventou um - o violão tenor.



Apresentou-se com Carmem Miranda nos Estados Unidos e influenciou várias gerações de violonistas, de Baden Powell a Raphael Rabello e Yamandu Costa. País sem memória, o Brasil guarda apenas um pequeno trecho de imagens em movimento de Garoto, tocando seu violão no Bando da Lua, que acompanhava Carmen Miranda.

Mesmo assim, é num filme de Hollywood. Garoto morreu cedo, aos 39 anos, mas deixou um magnífico legado, que andava um tanto esquecido. O farto material de pesquisa reunido e a sensibilidade com que é montado e mostrado ao público, trazem de novo à cena esse músico genial. O desfecho estupendo, com Vinicius de Moraes contando como pôs a letra na melodia de Gente Humilde, em parceria com Chico Buarque, é de nos levar às nuvens.  

Dom Salvador & The Abolition segue a carreira internacional do grande pianista brasileiro, radicado desde os anos 1970 em Nova York. Salvador toca há mais de 40 anos no mesmo clube, às margens do Rio Hudson, e já se apresentou no Carnegie Hall. Músico estupendo, é referência entre seus colegas norte-americanos, mas nos ocupamos pouco dele por aqui, o que não chega a ser novidade. 

Dorivando Saravá - o Preto que Virou Mar, de Henrique Dantas, mais que uma biografia do imenso Dorival Caymmi, é um ensaio poético sobre sua música e visão de mundo. Inventivo e tocante.  

Também da Bahia vem o mais original dos concorrentes, Porfírio do Amaral: a Verdade sobre o Samba. O filme do diretor Caio Rubens parte de duas perguntas: Quem foi Porfírio do Amaral e por que o mitológico produtor Fernando Faro jamais exibiu o programa Ensaio, gravado com o artista? Brincando com os limites entre o documental e a ficção, o filme joga luz sobre o samba, talvez a maior manifestação cultural do País. 

Da Bahia vêm também Aleluia, o Canto Infinito do Tincoã, de Tenille Bezerra, e Neojibá - Música que Transforma, de Sérgio Machado e George Walker Torres. O primeiro mostra a relação espiritual que Mateus Aleluia mantém com o mundo e sua arte, pondo em relevo a função ritualística da música. O segundo é a comovente história da Orquestra Juvenil da Bahia, cujos músicos atingiram grau de excelência técnica suficiente para tocar com ninguém menos que a extraordinária Martha Argerich, um dos mitos do piano contemporâneo (e amiga e parceira musical de Nelson Freire). 

Por aí se vê que a Bahia dá régua e compasso nessa mostra brasileira com nada menos de quatro títulos entre os seis escolhidos.

Há muito mais, porém. Além da competição nacional, há uma mostra de títulos brasileiros com atrações como Mangueira em Dois Tempos, de Ana Maria Magalhães, e Sambalanço - a Bossa que Dança, de Fabiano Maciel, com pesquisa e apresentação do crítico musical Tárik de Souza. 

A Mostra Brasil.Doc e uma seleção de curtas-metragens completam a densa participação brasileira. Volume e qualidade justificam nossa fama internacional de país musical. Também prova disso é o lugar privilegiado que a música ocupa em nossa produção documental. 

A programação internacional traz 22 filmes inéditos. Com destaque para The Quiet One, história do baixista Bill Wyman, dos Rolling Stones. Aznavour by Charles traz imagens feitas pelo próprio cantor francês registradas com uma câmera que ganhou de presente de Edith Piaf. Há também a Mostra Portugal, com uma seleção de filmes do país. Debates, entrevistas e apresentações em “Lives” completam a programação que se estende até o dia 20 de setembro.

A programação completa por ser vista no site do  In-Edit Brasil

 

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