Manjericão Filmes
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Festival Internacional de Curtas de São Paulo começa hoje com 212 títulos de 46 países

Uma das seções do Curta Kinoforum exibirá somente curtas produzidos durante a quarentena, transformando o espectro da covid-19 em tema da 31.ª edição, que vai até o dia 30

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2020 | 13h01

Mais um evento importante do calendário cultural da cidade torna-se remoto em tempos de pandemia. O Festival Internacional de Curtas de São Paulo, o Curta Kinoforum, começa nesta quinta, 20, e prossegue até o dia 30 com 212 títulos de 46 países. Para se atualizar com a produção internacional do formato o público só precisa acessar o site da Kinoforum. É a 31.ª edição, que, a título de aquecimento, já vinha apresentando, desde o dia 5, filmes e lives de importantes nomes do cinema brasileiro - Laís Bodanzky, Tata Amaral, Anna Muylaert, Jorge Furtado, Beto Brant.



Todos seguirão disponíveis até o fim do evento, mas a festa é a partir desta quarta. Com apresentação de Roberta Estrela D'Alva, a live de abertura será realizada às 20h e, depois disso, haja disponibilidade. A programação divide-se em todas aquelas mostras que o público já sabe - Limite, Mostra Internacional, Mostra Latinoamericana, Programas Brasileiros, Programas Especiais e Atividades Paralelas. Duas novas seções agregam uma atualização muito particular ao festival criado e dirigido por Zita Carvalhosa. Durante todos os dias do festival, curtas do programa Experimenta serão projetados, às 19h, na parede de um prédio no bairro paulistano Vila Buarque. O título não poderia ser mais sugestivo - A Cidade É Uma Tela.

Outra seção exibirá somente curtas produzidos durante a quarentena, transformando o espectro da covid-19 em tema da 31.ª edição. Desde que foi decretada a inviabilidade dos eventos presenciais, em março, Zita conta que o desafio foi transformar a inevitável edição online numa navegação amigável e prazerosa. Os filmes, as lives e demais atividades virtuais do Festival Internacional de Curtas estarão acessíveis através do endereço kinoforum.org.br ou pelos aplicativos Innsaei.tv para celulares, tablets e smartTVs, disponíveis nas lojas do GooglePlay e Apple Store. Poderão ser assistidos em qualquer parte do Brasil, e em qualquer formato. O resultado está sendo tão positivo que Zita não tem dúvida - “A exibição nessas novas telas veio para somar, mesmo quando a crise sanitária tiver passado.”

A Mostra Limite deste ano desenvolve-se em torno de três temas - Brutalismo, O Império da Palavra e Onde Está Todo Mundo? Traz títulos como Serial Parallels, de Max Hattler, premiado no Festival de Annecy, a Cannes da animação, e A Travessia, de Otávio Almeida, sobre a jornada solitária de um homem a Sierra Maestra, a montanha de Cuba onde começou a revolução de Fidel Castro. A seção abriga Unsound, curta norte-americano da brasileira Vivian Ostrovsky premiado no Festival Signes de Nuit, em Paris - é possível 'ver' o som?

A Mostra Internmacional traz curtas de autores consagrados. Jonathan Glazer, que fez Sob a Pele, com Scarlett Johsanssen, inspirou-se numa gravura de Goya em A Queda. Yorgos Lanthimos, o diretor grego de A Lagosta e A Favorita, retoma a parceria com Matt Dillon em Nimic. E Daí, se o Pastor Morrer?, de Sofia Alaoui, venceu o prêmio do formato em Sundance. Na seleção latina, existem títulos como Os Aneis da Serpente, de Edison Cájas, sobre uma mulher que exercia a medicina legal e foi agente da ditadura, no Chile, e Mamapara, de Alberto Flores Vilco, sobre uma solitária mulher quíchua que vive no altiplano do Peru. Os Programas Brasileiros estão pródigos em nomes consagrados - Ivan Cardoso, Daniela Thomas, Cláudia Priscilla, Roberto Berliner. Ricardo Alves Jr. -, que apresentam seus curtas com diretores estreantes, Camila Kater, Rodrigo Ribeiro.

Nos Programas Especiais, uma seção inteira, Novas Áfricas, tem curadoria de Claire Diao, jornalista e crítica francesa com raízes em Burkina Faso. Uma das lives mais aguardadas, nas chamadas Atividades Paralelas, reunirá Caru Alves de Souza e João Paulo Miranda, falando sobre suas experiências na passagem do curta para o longa. Caru foi premiada em Berlim, em fevereiro, com Meu Nome É Bagdá, e Miranda integrou a seleção de Cannes este ano - online -, com Casa de Antiguidades.

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