Festival gaúcho CineEsquemaNovo traz inovações

A expressão "tudo ao mesmo tempo agora" cai como luva na definição do CineEsquemaNovo - Festival de Cinema de Porto Alegre, mostra de cinema e audiovisual que começou na segunda-feira na capital gaúcha. O festival surgiu em 2003 combinando exibições, premiações, bitolas e formatos. No ano seguinte, aboliu as bitolas, permitindo que películas e vídeos participassem de igual para igual. Agora, na terceira edição, aboliu o gênero cinematográfico. Mas engana-se quem pensa que não há dogmas no CineEsquemaNovo Festival. Criatividade, surpresa, inovação e experimentação são palavras de ordem no vocabulário dos organizadores. O festival tem entrada franca e este ano vai exibir 140 filmes em 83 sessões, em diversos locais, em especial na Usina do Gasômetro, à beira do Guaíba, e no Santander Cultural, no centro antigo da cidade. No encerramento, domingo, além das sessões dos filmes premiados na noite anterior, a mostra exibe Árido Movie (2005), de Lírio Ferreira e vencedor do recente Cine PE- Festival do Audiovisual de Pernambuco. Na contramão dos festivais tradicionais de cinema e vídeo, o CineEsquemaNovo e outros, como a Mostra do Filme Livre do Rio de Janeiro, têm estimulado novas mídias como formatos cinematográficos. Formatos em 35 mm e suas variações e até uma produção feita em telefone celular são aceitos em pé de igualdade, afirmam os organizadores. Essa ousadia contribui para esquentar a pergunta não muito nova: afinal, o que é cinema? Desde o início o festival adotou o critério de não exigir inscrição de produções inéditas - regra abolida este ano pelo Cine PE. "Não exigimos ineditismo, pois com isso podemos perder uma obra-prima. O que interessa é exibir as obras. Estamos preocupados em fazer um festival para que as pessoas possam mudar algo dentro delas, como elas vêem a arte, o cinema e, até, seus próprios trabalhos", explica Gustavo Spolidoro, premiado no Cine PE como diretor com o curta Início do Fim (2005). O público poderá assistir a produções não inéditas e que unem diferentes linguagens, como Vinil Verde (2004), do pernambucano Kléber Mendonça Filho. O curta, feito com fotos digitais e em cópias de 35 mm, é uma adaptação da fábula infantil ucraniana Luvas Verdes. Já a animação em 2D, Caixa de Desenhos (2005), é um curta inédito do gaúcho James Zortéa. Ele filmou insetos na grama; essas imagens foram passadas em forma randômica (rotativa) para o computador. "O resultado são desenhos, riscos psicodélicos que parecem uma viagem de ácido", define Spolidoro. Diferentemente das edições anteriores, receberam homenagens os diretores Rogério Sganzerla e Ruy Guerra, nos anos de 2003 e 2004, respectivamente, nesta não haverá homenageado. Para não se repetir, explica Spolidoro, o festival que tem patrocínio da Petrobrás e é co-realizado com a prefeitura local, apresentará as mostras não-competitivas Cinema de Artista e o projeto Noutras Janelas. O Cinema de Artista vai exibir audiovisuais de nomes como Tunga, Laércio Redondo e Rivane Neueschwander, que utilizam o cinema e o vídeo como expressão. O Noutras Janelas mostra em espaços aleatórios da cidade obras do mineiro Cao Guimarães. A idéia é provocar reflexão sobre como o espaço interfere na experiência do cinema. Ao todo foram avaliados 810 curtas e médias e 26 longas. A curadoria do festival selecionou para as três mostras competitivas 67 curtas e médias, 4 longas e outros 26 curtas e médias (feitos em universidades, cursos e oficinas de cinema). A sugestão para o público é seguir o lema adotado este ano pelo grupo CineEsquemaNovo e que faz parte de todo o material de divulgação do Festival, "Abra seu coração. Desbitole-se!"

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