Festival em Goiás põe o meio ambiente em cartaz

Um curioso documentário sobre as diferentes recepções que as baratas têm pelo mundo ou a extinção dos vilarejos russos por conta da contaminação radiotiva provocada pela usina de Chernobyl. Temas tão diversos estão no 5.º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, que se realiza em Goiás, cidade distante 130 quilômetros de Goiânia, e cujo resultado será divulgado amanhã.São 28 filmes participantes, entre longas, médias, curtas e séries televisivas, que tratam basicamente da relação do homem com o meio ambiente. Como aconteceu nos anos anteriores, a maioria aponta para desastres que ameaçam o equilíbrio ambiental, como o devastado ecossistema do Afeganistão, arrasado depois de 25 anos de ocupação russa e guerra civil - tema do filme Titanic Sinks in Kabul, do indiano Kabir Khan, um dos preferidos do público. Ou ainda o malefício provocado pelo uso de pesticida em mais de 15 mil operários de bananais na Costa Rica - assunto de Le Femmes de Bananaires, do costarriquenho Luis Miranda, um dos que mais agradaram ao júri.A diferença temática é oferecida justamente por Cockroach Coktail, bem-humorado longa sobre as diferentes formas de convívio do homem com a barata, dirigido pela alemã Brigitte Krause. Apesar de entreter público e júri com cenas insólitas (a diretora devora, por exemplo, com gosto uma barata frita), a polêmica surgiu por outro motivo. O cineasta brasileiro João Batista de Andrade, presente ao festival, afirmou não ter autorizada a utilização de cenas de seu filme O País dos Tenentes no longa de Brigitte - a alemã escolheu o momento em que o personagem de Paulo Autran é atacado por diversas baratas. Brigitte alega ter conseguido uma autorização de uso da produtora de Andrade. Este, porém, afirmou desconhecer qualquer pedido.Outro filme que foge da tradicional linha de denúncia é Returnig Home, do americano Andy Abrahams Wilson. A produção mostra os delicados passos de Anna Halprin, dançarina de 83 anos que usa os movimentos para conectar o indivíduo à natureza.O filme escolhido pelo júri vai receber um prêmio de R$ 50 mil, além do Troféu Cora Coralina. O festival, cujo orçamento é avaliado em R$ 1,5 milhão, vai ser oficialmente encerrado na tarde de domingo, com um show do ministro da Cultura, Gilberto Gil.

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