José Patrício/ Estadão
José Patrício/ Estadão

Festival É Tudo Verdade começa com obras emocionantes

O cartaz deste ano homenageia o fotógrafo nipo-brasileiro Haruo Ohara

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2014 | 11h18

Começou! O É tudo Verdade de 2014 disparou na noite de quinta-feira, 3, em São Paulo e abre-se nesta sexta para convidados no Rio. Cada cidade teve/terá aberturas diferenciadas. Em São Paulo, foi o delicado Canção da Floresta, de Michael Obert. No Rio, será, logo mais, Tudo por Amor ao Cinema, de Aurélio Michiles. O etnomusicólogo Louis Sarno abandonou os EUA e se instalou na África atraído pela música de uma tribo de pigmeus. O som da floresta o persegue até hoje, 25 anos depois. Canção das Floresta foi o grande vencedor do Festival de Amsterdam, o maior evento de documentários do mundo, no ano passado. Tudo por Amor ao Cinema é sobre Cosme Alves Neto. Como, você não sabe quem é? Então, se for cinéfilo, você não sabe quanto lhe deve.

Cosme Alves Neto foi curador da Cinemateca do MAM, no Rio, por mais de 20 anos. Virou referência quando o assunto é a conservação e a preservação de filmes no Brasil. A abertura paulistana, levada informalmente pelo próprio criador do evento, Amir Labaki, teve os agradecimentos de praxe aos patrocinadores e apoiadores. Teve também agradáveis surpresas. O cartaz deste ano homenageia o fotógrafo nipo-brasileiro Haruo Ohara, tema de um documentário de curta-metragem – está na competição da categoria – assinado pelo talentoso Rodrigo Grota.

A foto integra o acervo do Instituto Moreira Salles. Foi catalogada como Brincadeira no Campo de Flores e retrata a filha de Ohara, Maria, que ainda era uma menina. Ela brinca com uma bola no campo de flores. Amir chamou a própria Maria, agora uma senhora, e lhe ofereceu uma bola da Copa para substituir a que ficou no passado. Na sequência, exibiu o fragmento de um projeto que Eduardo Coutinho abandonou, em homenagem ao grande documentarista assassinado no começo do ano. Atendendo a uma sugestão de João Moreira Salles, Coutinho partiu em busca de personagens míticas de seus grandes documentários.

Mas Coutinho, claramente, não acreditava no projeto – e tanto, que o abandonou. Ele se encontra com Dona Teresa, as espiritualista que, em Santo Forte, revive para ele suas vidas passadas. Coutinho diz que o filme não vai dar certo e explica – seu método de encontro e conversa funciona(va) somente para a primeira vez. Mas ele conversa com Dona Teresa e ela, a seu pedido, faz um dueto com Vicente Celestino n’O Ébrio. Pode ser que para Coutinho, a mágica já se tivesse ido, mas para o público que viu ontem o filme – e aplaudiu no final – o reencontro com o grande diretor não será a menor das emoções que o 19.º Festival Internacional de Documentários poderá fornecer.

Veja aqui alguns dos destaques desta sexta na programação:

A Arte de Observar a Vida, de Marina Goldovskaya, com complemento do curta Haruo Ohara, de Rodrigo Grota

Cine Livraria Cultura, 19 h. Uma discussão sobre o que é documentário (com grandes documentaristas) vira um elogio da amizade. E o curta faz justiça ao fotógrafo que documentou a vida dos japoneses no Brasil.

Em Busca dos Soldados Foragidos, no CCBB, 14 e 16 h. Dois programas da série do japonês Shoei Imamura, que segue a trilha de soldados foragidos na Malásia e na Tailândia. Emerge um retrato dos códigos de honra e das divisões de classes no Japão, antes e depois da 2.ª Grande Guerra. Imamura, que ganhou duas Palmas de Ouro – pelas ficções A Balada de Narayama e A Enguia –, vai surpreender como documentarista. E seu discípulo Yoju Matsubayashi também mostra (nesta sexta) Cavalos de Fukushima, e analisa o legado do mestre.

Ai Weiwei – O Caso Falso, no Reserva Cultural, 16 h. O mais famoso dissidente chinês enfrenta as restrições que o regime lhe impôs – num suposto caso de evasão fiscal –, mas o tema central é a paternidade do criador. Não é só a livre expressão que o preocupa, mas também o comprometimento de haver-se tornado pai, preocupado com a sobrevivência pessoal e de sua descendência.

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