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Festival É Tudo Verdade celebra duas décadas de atividade

Abertura é com o filme 'Últimas Conversas', que Eduardo Coutinho não pôde finalizar

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2015 | 03h00

São 20 anos de É Tudo Verdade – duas décadas em que o festival internacional de documentários de Amir Labaki cresceu e adquiriu prestígio como o próprio gênero que privilegia. Documentários sempre existiram, desde que os irmãos Lumière documentaram a saída da fábrica, mas as novas tecnologias provocaram o estouro. O próprio mercado tornou-se mais receptivo. Na festa de seus 20 anos, o É Tudo Verdade celebra os 80 de um grande documentarista brasileiro – Vladimir Carvalho – e o centenário de Orson Welles. O grande ficcionista é autor do documentário inacabado It’s All True, que dá nome ao festival. Não é pouca coisa.

Cerca de 1.300 títulos inscreveram-se para a seleção. A programação que começa nesta quinta-feira, 9, contempla 109 filmes de 31 países – 18 em pré-estreia mundial. “Todo filme que passa pelo crivo da seleção merece ser visto”, diz Labaki. Diversos diretores brasileiros e internacionais voltam às competições, mas ele destaca o inédito, o mais importante – cinco documentaristas latinos competem na mostra internacional. “É a prova do prestígio do documentário”, avalia.

Simultaneamente, ocorre a conferência internacional do documentário. Fernão Ramos e Carlos Alberto Mattos vão debater a produção nacional, Amir Labaki vai entrevistar o homenageado Vladimir Carvalho e Jonathan Rosenbaum, especialista na obra de Welles, vem avaliar seu legado. A retrospectiva 20 aos Pares, com dez programas, propõe o diálogo entre obras que fazem parte da história do É Tudo Verdade.

O festival agora ocupa seis salas em SP, cinco no Rio e depois, até junho, vai passar por Santos, Belo Horizonte e Brasília. “No ano passado, tivemos 26 mil espectadores, 10% a mais que no ano anterior”, Labaki comemora. E a abertura terá Eduardo Coutinho, o filme que o mestre não pôde finalizar. Últimas Conversas foi concluído pela montadora Jordana Berg e pelo diretor João Moreira Salles como um ato de amor por Coutinho e pelo cinema.

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