Iglesias Más/Sony Pictures Classics
Iglesias Más/Sony Pictures Classics

Festival do Rio volta presencial e tem na abertura o novo de Almodóvar

Em formato menor, evento traz atrações preciosas que vão de Woody Allen a Asghar Farhadi; na nacional, filme de Lázaro Ramos

Luiz Carlos Merten , Especial para o Estadão 

09 de dezembro de 2021 | 05h00

Último grande evento de cinema do ano, o Festival do Rio, que começa nesta quinta, 9, e rola até 19, será totalmente presencial. Em setembro, já houve uma edição especial da Première Brasil. Tradicional vitrine do cinema brasileiro, a Première volta em alto estilo, e como menina dos olhos do Festival do Rio de 2021, mas haverá também uma edição do Panorama Internacional com atrações para cinéfilo nenhum botar defeito. As galas, nacionais e estrangeiras, ocorrerão no Cine Lagoon. As demais sessões serão realizadas em mais quatro salas. Estação Net Gávea 5, Botafogo 1 e Rio, e o Reserva Cultural de Niterói. A programação poderá ser seguida nas redes sociais - Instagram e Twitter

Tudo está mais compacto, mas se há uma coisa que não vai faltar é qualidade nessa rigorosa seleção de títulos. Em 2019, o festival só ocorreu por causa do crowdfunding. Ilda Santiago, diretora artística: “Quando penso naquela avalanche de apoio é emocionante. Não sabíamos o que estava para acontecer no planeta. Durante todo o ano de 2020 não paramos de pensar quais seriam as saídas - financeira, sanitária e estrutural - que permitiriam ao festival voltar. Temos agora a imensa sorte de ter um prefeito ligado à cidade, à cultura e ao Festival do Rio, e isso faz toda a diferença”.

Para a inauguração desta noite foi escolhido o novo Almodóvar, Madres Paralelas, que valeu a Penélope Cruz o prêmio de melhor atriz no recente Festival de Veneza. Na Espanha, Madres teve a quarta pior bilheteria de toda a carreira do autor. Na França, inversamente, Madres alinha-se com Volver, também com Penélope, como a maior bilheteria do grande diretor. Há expectativa quanto ao Oscar - a Academia de Hollywood adora Pedro Almodóvar. 

Basta lembrar de Tudo Sobre Minha Mãe - a maternidade é tema essencial nos filmes dele. Aqui, encontram-se num hospital, em trabalho de parto, duas mulheres. Penélope quer esse bebê. Milena Smit é pouco mais do que uma garota. Está assustada quanto ao presente, e ao futuro. A par do Almodóvar, o Panorama contempla Titane, de Julia Ducournau que venceu a Palma de Ouro, e os paulistanos já viram na Mostra. Dois outros destaques estiveram no Mix Brasil - Benedetta, de Paul Verhoeven, e o excepcional A Fratura, de Catherine Corsini, espécie de Sob Pressão à francesa, que venceu a Palme Queer. E tem também Ryusuke Hamaguchi (Drive My Car), dois novos filmes de Hong Sang-soo (A Mulher Que Fugiu e Encontros) - a essa altura ele já deve ter feito mais dois -, um Nanni Moretti (Tre Piani), um Woody Allen (O Festival do Amor), o poderoso Um Herói, de Asghar Farhadi, e a animação japonesa Belle, de Mamoru Hosoda. 

Homenagem

O Festival do Rio homenageia os 70 anos da revista Cahiers du Cinéma com uma mostra de 11 filmes, incluindo obras de Robert Bresson (O Dinheiro), Louis Malle (Ascensor para o Cadafalso), Jean-Luc Godard (Pierrot le Fou/O Demônio das Onze Horas), Jacques Rivette (Paris nos Pertence) e Eric Rohmer (A Marquesa d’O). Outra retrospectiva, de cinco títulos, permitirá rever dois dos maiores filmes de Wong Kar-wai, Amor à Flor da Pele e Felizes Juntos. Maggie Cheung virá deslizando por aquele corredor, ao som de Nat King Cole, para assombrar o cinéfilo. E a voz doce de Caetano, Cucurrucucu Paloma, ecoará para sempre no imaginário de quem assistir ao visceral romance gay de Felizes Juntos, que trata do oposto do título, a ruptura amorosa. 

Mas é a Première Brasil que mais chama atenção, com 45 longas e 23 curtas distribuídos entre suas diferentes seções - a competição de longas e curtas de ficção, a competição de documentários, as mostras Novos Rumos e Estado das Coisas e a Première Brasil Hors Concours. Será possível assistir à estreia de Lázaro Ramos na direção, com Medida Provisória, a sequência de Alemão - Alemão 2 -, do próprio diretor José Eduardo Belmonte, e o novo longa do mais erudito dos grandes autores do cinema brasileiro, Júlio Bressane - Capitu e o Capítulo. Ilda: “A Première Brasil sempre foi o nosso grande tapete vermelho”.

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