Davi Campana
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Festival do Rio termina em clima de emoção

O júri premiou ‘Fim de Festa’, de Hilton Lacerda, e o público fez a coisa certa consagrando o poderoso ‘M8’, de Jeferson De

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

20 de dezembro de 2019 | 19h34

Foi o momento mais significativo não apenas da cerimônia de premiação do 21.º Festival do Rio, mas de todo o evento que, este ano, esteve ameaçado de não se realizar. A crise do Rio, a falta de recursos, tudo conspirava contra. A solução foi abrir uma subscrição popular que alavancou o esforço de 2 mil apoiadores, entre pessoas físicas e empresas de produção e distribuição. Mais compacto, o festival realizou-se e foi um sucesso. Nesse quadro, na noite de quinta, 19, Jeferson De subiu ao palco do auditório do Museu do Amanhã para receber o Redentor de melhor filme pelo júri popular para M8. Levou a filha. Chamou o filho de Regina Casé, que já havia recebido o prêmio de melhor atriz por Três Verões, de Sandra Kogut.

Jeferson fez um discurso militante. Um cineasta que se autodefine como preto, cercado por duas crianças negras, cada uma carregando um troféu. Havia algo simbólico naquele trio, naquele lugar. Todos os premiados, em seus discursos, falavam no festival como resistência e resiliência. Apesar de todas as dificuldades, há esperança. Jeferson entre as crianças.

O júri oficial ignorou M8 e sua extraordinária atriz - Mariana Nunes - e fez outras escolhas. Fim de Festa, de Hilton Lacerda, melhor filme; Maya Da-Rin, de A Febre, melhor diretora; Fabrício Boliveira, melhor ator, por Uma Breve Miragem ao Sol, de Eryk Rocha - talvez a única escolha acima do bem e do mal do júri -; Regina Casé, melhor atriz. Ressaca, de Vincent Rimbaux e Patrícia Landi, melhor documentário e melhor direção de documentário.

Outro júri, o da mostra Novos Rumos, fez a coisa certa - premiou Sete Anos em Maio, de Affonso Uchôa, como melhor filme - mais um capítulo da análise da classe trabalhadora pelo grande autor de Contagem, na Grande Belo Horizonte, onde se faz atualmente talvez o melhor cinema do Brasil - e outorgou um prêmio especial a Marcelo Diório, o ator/personagem de A Rosa Azul de Novalis, de Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro, que estreou quinta nos cinemas de São Paulo.

Em 11 dias, de 9 a 19, o Festival do Rio apresentou quase 100 filmes internacionais e 90 brasileiros. A Première Brasil, mesmo abrindo mão do ineditismo, continuou sendo a grande vitrine do cinema produzido no País. Mostrou filmes em primeira mão, e criou uma seção nova, Retratos Musicais, amplamente aprovada pelo público e pela crítica. Entre as pré-estreias internacionais, a maior talvez tenha sido Les Misérables, de Ladj Ly, e dois atores do filme, incluindo o que coassina o roteiro com o diretor, Alexis Manenti, vieram debatê-lo com o público. Entre outros convidados, vieram também os portugueses Pedro Costa e Maria de Medeiros. Ele, que trouxe ao Brasil Vitalina Varela, premiado em Locarno, antecipou que virá a São Paulo em março, trazido pelo IMS, que lhe deu carta-branca para organizar uma seleção de filmes de sua preferência.

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