Festival do Rio terá quinze dias para abalar telas cariocas

Maratona de filmes antecipa as obras em maior destaque no mundo e o melhor do circuito nacional

Luiz Carlos Merten, do Estado de S. Paulo,

24 de setembro de 2009 | 09h46

Tapete vermelho em frente ao Cine Odeon, no festival do ano passado. Crédito: Marcos D´Paula/AE

 

RIO - Começa sob o signo da era de Aquário - paz e amor, bróder - e termina com a revisão histórica de Quentin Tarantino. Você é do time que sempre achou que Adolf Hitler morreu no bunker, em Berlim? Engana-se - o fuhrer foi despachado desta para o inferno que merecia, a tiros, pelo sargento Aldo Raine, isto é, Brad Pitt, pelo menos é o que propõe a mais eletrizante aventura de guerra do cinema atual. Entre esses dois extremos, Aconteceu em Woodstock, de Ang Lee, hoje à noite, e Inglórios Bastardos, de Tarantino, dia 8, o Festival do Rio, edição de 2009, promete a melhor Première Brasil da sua história e traz convidados para ninguém botar defeito, desde o próprio Tarantino, convidado para encerrar a festa, até Jeanne Moreau, que receberá uma homenagem especial no quadro do ano da França no Brasil.

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Do ponto de vista organizacional, a Cima, que realiza o festival, comemora o retorno da Prefeitura do Rio, que não apenas comparece com dinheiro como apoia de diversas formas o evento que deve transformar o Rio, nas próximas duas semanas, na capital do cinema - no Brasil e no mundo. Revistas norte-americanas não deixam por menos e consideram o Festival do Rio o maior evento de cinema da América do Sul. Há controvérsia, pelo menos em São Paulo, e logo em seguida, na segunda quinzena de outubro, estará começando aqui a Mostra de Cinema, que este ano também terá atrações especiais, desde a abertura com À Procura de Eric, de Ken Loach, espera-se que em presença do diretor e de Eric Cantona, e a retrospectiva do grego Theo Angelopoulos.

Ang Lee e Tarantino são apenas dois dos grandes diretores cujos filmes virão para o Rio. A Première Brasil, maior vitrine do cinema brasileiro, você encontra em outro texto (na página 7). Os outros grandes diretores? Alguém falou Pedro Almodóvar? Abraços Partidos estará no Panorama. Sam Mendes, Elia Suleiman, Marco Bellocchio, Alain Resnais? Distante Nós Vamos, The Time that Remains, Vincere e Les Herbes Folles também passam no Rio. John Woo? Só perderá o deslumbrante A Batalha dos Tês Reinos quem for maluco. Werner Herzog? Bad Lieutenant: Porto of Call New Orleans chega precedido das melhores referências. São atrações para deixar cinéfilo com água na boca o novo Andrzej Wajda, Tatarak; o novo Raoul Ruiz, A Casa Nucingen; a nova Agnes Varda, Les Plages d"Agnès; e um Emir Kusturica que vai dar o que falar, defendendo, em Maradona by Kusturica, a tese, difícil de ser deglutida no Brasil, de que o argentino é o maior.

Michael Haneke ganhou a Palma de Ouro em Cannes com The White Ribbon, e o filme passa. A atriz Isabelle Huppert, residente do júri que premiou o autor austríaco, também será homenageada com uma seleção de filmes, não exatamente os que o CineSesc, em São Paulo, também mostrou em seu louvor. A homenagem a Jeanne Moreau terá, além de títulos importantes, a presença de Cacá Diegues, que a dirigiu em um de seus mais belos filmes - Joanna Francesa. Alguma coisa há de decepcionar, mas para um insatisfatório Sede de Sangue, de Park Chan-wook, a própria Coreia envia Mother (Mãe), de Bong Joon-ho, que é 10. Novidades israelenses? O novo Amos Gitai, Carmel, que teve sua première no recente Festival de Toronto. A Première Latina não tem a importância da brasileira, que é, afinal, a menina dos olhos da diretora artística do evento, Ilda Santiago. Mas, atenção, se for preciso escolher apenas um filme da Première Latina, que seja Lake Tahoe, de Fernando Eimbke, que venceu o prêmio da crítica no Festival de Berlim do ano passado. São centenas de filmes (de autores veteranos ou estreantes, não importa), mais de duas dezenas de pontos de exibição. E as mostras? Panorama, Première Brasil, Première Latina, Mundo Gay, Expectativa, Fronteiras, Geração, Pocket Filmes, Midnight, Meio Ambiente e até O Brasil do Outro, com seleção de filmes sobre como o País é visto lá fora. Toda essa farra de cinéfilos termina com a premiação dia 8. O Festival do Rio premia o melhor longa latino (prêmio da crítica, com júri formado pela Fipresci, a Federação da Imprensa Cinematográfica Internacional) e outorga, para os concorrentes nacionais, o troféu Redentor. "Nossa intenção é sempre trazer o melhor, esperamos ter conseguido", resume Ilda Santiago que, mais uma vez, se veste de gala para a abertura, com direito a tapete vermelho, no Cine Odeon.

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