Festival do Rio: Première Brasil promete sua melhor edição

Heitor Dhalia está cheio deexpectativa em relação à apresentação de "O Cheiro do Ralo" naPremière Brasil do Festival do Rio. O festival começa nesta quinta-feira, a Première decola somente sexta-feira, com "1972", de JoséEmílio Rondeau. Dhalia já levou "Nina" à Première, em 2004, masacredita que seu novo filme terá maior facilidade de comunicação até pela presença de Selton Mello à frente do elenco. SeltonMello está virando um personagem de si mesmo, como Paulo CésarPereio, apesar de todas as diferenças entre ambos. Nos filmesque interpreta ou dirige, no programa do Canal Brasil ("TarjaPreta"), Selton tem feito escolhas ousadas e afirmado umapersonalidade tão irreverente quanto contestadora. Ele está genial como este cara que, no "Cheiro do Ralo",não ama nada nem ninguém e acumula objetos usados para dispor,com seu dinheiro, das necessidades das pessoas. É um universoduro e soturno como o de "Nina", mas que o diretor desta vezalivia um pouco pela música, pela ironia, pela própriahumanidade que fornece aos personagens que adaptou do livro deLourenço Mutarelli. "O Cheiro do Ralo" será uma das atrações e, quem sabe,um dos choques da Première Brasil de 2006, mas, antes disso,Selton Mello e Seu Jorge serão vistos nesta quinta-feira no curta"Tarantino?s Mind", que abre o Festival do Rio, formando o duplocom "A Dália Negra", de Brian De Palma. "Tarantino?s Mind" é umaespécie de "Coffee and Cigarettes" brasileiro, só que, em vez decafé e cigarros, como no filme de Jim Jarmusch, Selton e SeuJorge consomem uma loira (a cerveja) e batatinhas fritasenquanto o primeiro dá sua interpretação particular sobre amente ?cinematográfica? de Quentin Tarantino. Grandes filmes só serão descobertos na hora, mas algunsjá foram vistos antecipadamente - como "O Cheiro do Ralo" -, oque permite prever que a Première Brasil de 2006 será uma dasmelhores (a melhor?) da história do Festival do Rio. No anopassado, só para lembrar, a Première exibiu filmes como "Cinema,Aspirinas e Urubus", de Marcelo Gomes; "Cidade Baixa", de SérgioMachado; "Tapete Vermelho", de Luiz Alberto Pereira; e "CrimeDelicado", de Beto Brant. Para este ano, o cardápio não poderiaestar mais diversificado - nem atraente. Serão 11 longas deficção, 14 documentários e 23 curtas, entre apresentaçõesespeciais, fora de concurso e em competição. Em "1972", José Emílio Rondeau conta um pouco umahistória de amor pelo cinema - sobre este casal de cinéfilos(Dandara Guerra e Rafael Rocha) que vive seu romance em meio àagitação cultural do Rio, no começo dos anos 70. Na seqüência, aPremière Brasil exibirá as novas ficções de Karin Aïnouz, TataAmaral, Ricardo Elias, Heitor Dhalia, Jorge Durán, Ricardo VanSteen, Flávio Tambellini e Marcelo Santiago. O filme do último,"Sonhos e Desejos", é o único já lançado em festivais do País.Passou em Gramado, onde a história de amor e resistência àditadura militar deu o prêmio de melhor atriz para Mel Lisboa,mas colheu, merecidamente, pancadas dos críticos. "O Céu de Suely", de Karin Aïnouz, com Hermilla Guedes,é triste de doer, contando a história dessa mulher que querrifar o próprio corpo para começar vida nova. "Antônia", sobreas meninas da Vila Brasilândia, em São Paulo, passa no Rio, maso Brasil inteiro verá antes a série adaptada do novo longa deTata Amaral (e que a Globo já começa a exibir em novembro). Omotoboy de "Os Doze Trabalhos", de Ricardo Elias, revela ascontradições e desigualdades de São Paulo, que são também as doBrasil. Jorge Durán mostra o Fundão, no Rio, como você nunca oviu em "Proibido Proibir" - seu primeiro longa desde "A Cor doMeu Destino", de 1986 - há 20 anos! E existem os curtas, osdocumentários. A Première Brasil de 2006 promete.

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