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Festival do Rio começa com 'O Sal da Terra', sobre Sebastião Salgado

Uma das mostras de cinema mais importantes do País começa no dia 24 de setembro e encerra em 8 de outubro, com Stephen Daldry e 'Trash'

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

11 Setembro 2014 | 10h43

Começa com o grande Sebastião Salgado e termina com Stephen Daldry. O Festival do Rio acaba de confirmar suas galas de abertura e encerramento, nos dias 24 de setembro e 8 de outubro. A abertura se dará em alto estilo com O Sal da Terra, documentário de Juliano Carneiro Salgado, filho do fotógrafo, e Wim Wenders. "Não se trata só de um belíssimo filme porque celebra um artista e, principalmente, um homem que faz a diferença, e isso é que nos interessa destacar no festival, neste momento", diz sua diretora artística, Ilda Santiago. Sal da Terra conta não apenas uma história da vida de Salgado como documenta seu trabalho de ambientalista. Exibido na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes, em maio, ganhou uma menção do júri presidido pelo cineasta argentino Pablo Trapero.

O Genesis de Sebastião Salgado para abrir a festa de cinema - Trash para encerrá-la. O filme que o inglês Stephen Daldry rodou no Brasil, em parceria com a O2 de Fernando Meirelles, baseia-se na história de três garotos que descobrem um mapa num lixão carioca. Cercados por miséria e violência, eles ganham uma chance - o mapa conduz a uma fortuna, mas um policial e um político corrupto dificultam a busca. Todo o cinema de Daldry que aborda a infância e juventude - Billy Elliott, O Leitor - é magnífico. Há grande expectativa pelo resultado de Trash, que trará o diretor e o roteirista Richard Curtis ao Rio para a gala de encerramento. Sebastião Salgado, a mulher e o filho também virão para a abertura.

O Festival deste ano está sendo atípico, define sua diretora artística. "Não estou nem falando da questão do patrocínio, mas é que esse ano tudo ficou para depois da Copa, a Copa foi embora e o ano está se encerrando, tudo muito rápido." Mas ela tranquiliza os que esperam ansiosamente pela maratona do Festival do Rio. "Vai ser um grande festival. Estamos trazendo filmes e figuras que fazem a diferença. Vamos ter uma belíssima Première Brasil e uma Première Latina com filmes excelentes. E vamos ter algumas pérolas - uma retrospectiva de clássicos mexicanos que vai trazer obras-primas do período de ouro". Uma novidade. O Festival do Rio de 2014 cancela sua Mostra Gay, mas não se trata de nenhum acesso de homofobia. "Estamos trazendo Wielland Speck, que organiza a disputa pelo Teddy Bear (o Urso gay) no Festival de Berlim. Como lá, a mostra gay estará permeando toda a programação do festival. E o nosso Redentor (o troféu da mostra carioca) gay será o Félix."

A disputa por um mapa está no centro de Trash. Outro mapa, para as estrelas, é uma das atrações da seleção internacional que mostra o panorama do cinema no mundo. Maps To the Stars, de David Cronenberg, andou sendo considerado por muitos críticos o melhor filme do Festival de Cannes deste ano. O próprio Cronenberg diz que não se trata de seu manifesto contra Hollywood, mas de um Lobo de Wall Street que aborda o show biz. Mais atrações - Boyhood, de Richard Linklater, que, com certeza, irá para o Oscar do ano que vem; Garota Exemplar, de David Fincher; Homens, Mulheres e Filhos, de Jason Reitman; Mr. Turner, de Mike Leigh; Jimmy's Hall, de Ken Loach; Mommy, de Xavier Dolan; National Galery, de Frederick Wiseman; Dente por Dente, de Kim Ki-duk; O Presidente, de Mohsen Makhmalkbaf; Por Cima do Meu Cadáver, de Takashi Miike; Os Maias, de João Botelho; Whiplash, de Damien Chazelle, que venceu Sundance, em janeiro; Le Meraviglie, de Alice Rohrwacher, que recebeu o prêmio do júri em Cannes; Incompressa/Incompreendida, de Asia Argento; e Timbuktu, do africano Abderrahmane Sissako, criminosamente esquecido pelo júri de Jane Campion (em Cannes). É belíssimo.

Tradicionais, as sessões da meia-noite se ampliam para abrigar musicais e documentários. Bjork, David Bowie, Nick Cave e o samba (cortesia de Georges Gachot, guiado por Martinho da Vila) ganham registros documentários.

Cathedrals of Culture é um documentário em 3-D que viaja pelo mundo tentando captar a alma dos prédios. Wim Wenders e Karin Ainouz assinam alguns dos episódios. The 50 Years Argument, de Martin Scorsese, destaca a importância da The New York Books Review. Moda? O assunto inspira Dior et Moi, de Frédéric Tcheng, o autor de Diana Vreeland - The Eye Has To Travel, sobre os bastidores da primeira coleção de Raf Simons na maison francesa; e Advanced Style - Vovós Fashion, de Lina Plioplyte, que se introduz na intimidade de sete mulheres que fazem a diferença na moda de Nova York, e elas têm entre 62 e 93 anos. Futebol? A Copa se foi, mas Short Plays traz a visão de 32 diretores sobre a paixão do esporte. Entre eles, Karin Ainouz, Apichatpong Weerasethakul, Doris Dorrie, Gaspar Noë, Vincent Gallo e Carlos Reygadas.

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