Festival do Rio BR divulga concorrentes

São R$ 200 mil para o melhor filmebrasileiro de ficção e R$ 100 mil para o melhor documentário. OPrêmio de Estímulo à Comercialização que a BR Distribuidora dáaos filmes que concorrem no Festival do Rio BR pode fazer adiferença na hora do lançamento. Com esse dinheiro é possíveldar aos filmes do País a visibilidade que eles necessitam nummercado maciçamente ocupado pela produção estrangeira.Compreende-se, assim, o empenho dos diretores em colocar seusfilmes na competição nacional do Festival do Rio BR, que esteano ocorre de 26 de setembro a 10 de outubro. A comissão organizadora do evento divulgou naquarta-feira a lista dos filmes que vão concorrer aos prêmios dopúblico - essa é outra característica marcante da mostracarioca. O público dá as cartas e uma boa claque, uma cena maisemotiva terminam amolecendo o coração dos votantes. O cinemacomercial corre o risco de sobressair-se em relação ao cinemamais exigente de autores empenhados em fazer pesquisa delinguagem e política. Na sua justificativa, a comissão afirma: Num anomarcado pela diversidade e qualidade de títulos inscritos, oFestival do Rio BR 2002 optou por selecionar sete longas deficção e cinco documentários para compor a programação da mostracompetitiva Première Brasil. Os longas de ficção são:Amarelo Manga, de Cláudio Assis, Desmundo, de AlainFresnot, Dois Perdidos Numa Noite Suja, de José Joffily,Madame Satã, de Karim Ainouz, Querido Estranho, deRicardo Pinto e Silva, Seja o Que Deus Quiser, de MuriloSalles, e Separações, de Domingos Oliveira. Os documentáriosselecionados são: Banda de Ipanema - Folia de Albino, dePaulo César Saraceni, A Cobra Fumou, de Vinicius Reis,Edifício Master, de Eduardo Coutinho, Ônibus 174, deJosé Padilha, e Poeta de Sete Faces, de Paulo Thiago. Kikitos - Vários desses filmes foram exibidos e, entreeles, só um não concorreu no recente Festival de Gramado -Cinema Brasileiro e Latino. À última hora, o diretor PauloThiago tirou seu documentário sobre o poeta Carlos Drummond deAndrade da mostra competitiva. Os de Coutinho e Vinicius Reiscompetiram e o primeiro foi o vencedor da categoria, na cidadeserrana do Rio Grande do Sul. Das sete ficções, três tambémconcorreram no Festival de Gramado: foram os filmes de JoséJoffily, Ricardo Pinto e Silva e Domingos Oliveira. DoisPerdidos e Separações ganharam dois Kikitos, cada.Querido Estranho, um, apenas. Os filmes selecionados para a Première Brasil espelham adiversidade da produção brasileira atual. Quase todosprivilegiam as novas tecnologias, tendo sido feitos em digital.Não é um valor em si mesmo. Embora feitos em vídeo de ponta,eles têm de passar pelo transfer - o processo de transferênciapara película - para passar no sistema de exibição vigente noPaís, onde as salas de projeção digital ainda são raras. Issoaté gerou polêmica. Querido Estranho foi um dos filmesvencedores do prêmio de finalização da Prefeitura de São Paulo,quando já estava selecionado para concorrer ao Kikito. O diretorPinto e Silva, que captou as imagens em digital, alega que ofilme ainda não estava pronto. Como ele não fez o transfer,Querido Estranho teve projeção digital em Gramado. Tecnologias à parte, o que os críticos querem discutir éa estética dos filmes, seja os que concorreram em Gramado ou osque vão concorrer, agora, no Rio. A dramaturgia de QueridoEstranho é tradicional e o filme, uma saga familiar na linhade A Partilha, não transforma a técnica inovadora do digitalnuma estética revolucionária. Dois Perdidos Numa Noite Sujatambém foi feito em digital e tem essa ambição de desenvolveruma dramaturgia e uma estética ousadas como sua técnica.Consegue só em parte, porque, sendo homófobo e misógino, terminavirando um compêndio de desumanidade, mais do que depoliticamente incorreto. Domingos Oliveira estende a proposta deAmores, seu filme anterior, mas na verdade não a amplia.Separações é uma egotrip excessiva do ator e diretor, que jáfoi o François Truffaut brasileiro - nosso homem que amava asmulheres - e hoje quer ser mais Woody Allen que o próprio.Separações é uma utopia (Amores também era) que Domingosambientou no Baixo Gávea. Com torcida local pode até ganhar oprêmio do público no Festival do Rio BR 2002. Madame Satã, de Karim Ainouz, que integrou a seleçãooficial do Festival de Cannes, em maio, é melhor do que todosesses filmes. E existem os ineditíssimos, que só serão vistos noFestival do Rio: Desmundo, um projeto ambicioso desenroladono Brasil colonial - é narrado em belíssimas imagens e falado emportuguês arcaico, o que poderá causar estranhamento; Seja oQue Deus Quiser, o novo Murilo Salles, produção de BO, baixoorçamento, da qual o responsável diretor de Nunca Fomos tãoFelizes e Como Nascem os Anjos revela estar ´enamorado´; eAmarelo Manga, de Cláudio Assis, que traz ao Rio a pujançado cinema nordestino. Será difícil encontrar um documentário melhor do queEdifício Master, mas o favoritismo pode muito bem esperaraté a projeção de outro inédito: Ônibus 174. E os longasbrasileiros não ficam só nesses. Em reconhecimento à suaqualidade artística, considerada ´excepcional´, a comissão deseleção indicou mais três filmes que serão exibidos fora deconcurso, já que não foi possível encaixá-los na programação:Durval Discos, de Anna Muylaert, tríplice vitorioso emGramado (prêmios do júri, do público e da crítica), Houve UmaVez Dois Verões, de Jorge Furtado, que estréia na próximasexta, em São Paulo, e A Festa de Margarete, de RenatoFalcão. Um nacional também vai integrar a programação especial,não competitiva, intitulada Midnight Movies. O escolhido foiSamba-Canção, de Rafael Conde, o talentoso diretor do curtaFrançoise.

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