Festival do Recife destaca curtas

Somente nesta sexta-feira, no quinto dia,o Festival de Cinema do Recife apresenta o primeiro longainédito da competição. É o filme de André Sturm, SonhosTropicais, que estréia amanhã em São Paulo. Recife possui afama, certamente merecida, de abrigar o festival de maiorparticipação popular do País. O Teatro Guararapes, onde serealizam as sessões oficiais, é um auditório de convenções quese localiza em... Olinda. Comporta 2 mil espectadores sentados.Em dias de muita afluência de público, chega a quase 3 mil. OGuararapes lotou na segunda-feira, para a verdadeira maratona deinauguração do 6.º festival. Havia gente de pé, ao longo dos corredores, que resistiuàs quase seis horas de programa corrido. A duração excessiva foimotivada por uma mudança de roteiro: Ariano Suassuna,homenageado de honra do Festival - que põe foco, este ano, nacultura popular nordestina -, deveria dar sua aula-espetáciulono domingo, no encerramento do evento, mas resolveu antecipá-lapara a abertura, estrangulada entre os dois longas e os várioscurtas já agendados. Ariano dá neste fim de semana suaaula-espetáculo na Bienal do Livro, em São Paulo. Na segunda,grava o Roda Viva, na TV Cultura. Para não sobrecarregar omestre, sua participação no Recife foi antecipada. Muita gente saiu do Guararapes durante a exibição deNetto Perde Sua Alma, na quarta à noite, mas o longa gaúchode Tabajara Ruas e Beto Souza foi calorosamente apladido pelosque ficaram. Não é um filme fácil: parece um épico, mas é umanti-épico, sobre os sonhos destroçados do revolucionário quefundou a República Rio-Grandense, no século 19. O generalAntônio de Souza Netto era abolicionista e libertário, mastambém um caudilho, com toda a carga de autoritarismo atribuídaà palavra. O filme é uma história de fantasmas. Tem um desfechoà Ingmar Bergman o encontro de Netto com a Morte, verdadeiratravessia das almas. Os curtas têm feito muito sucesso. Na segunda, OndeAndará Petrúcio Felker, de Allan Siber, foi bastanteaplaudido. Na terça, A Canga, de Marcus Vilar, Roda deSamba, de Os 3Dmentes, e Glauces: Estudo de Um Rosto, deJoel Pizzini, receberam verdadeira ovação. Na quarta, o campeãode aplausos foi a animação Patativa, de Ítalo Maia, sobre opoeta Patativa do Assaré. Um trabalho bonito, com humorpeculiar. O diretor é um garoto de 17 anos. Quando Patativanasce, tem a cara do poeta hoje, aos 90 e tantos anos. O públicoriu a não mais poder. Ainda na quarta, apresentando o documentário Onde aTerra Acaba, sobre Mário Peixoto, o diretor Sérgio Machadosubiu ao palco para dizer que estava voltando da França, ondeparticipou de um debate. Os franceses queriam saber dele por queo Brasil, um país com tantos problemas, insiste em fazer cinema.Ele disse que o cinema é o espelho de um povo. Se ele não vê suaimagem refletida, outros ocupam o espaço. Estar ali, mostrandoseu filme para milhares de espectadores entusiastas, era, paraMachado e para qualquer pessoa que queira ver os fatos como são,é a prova de que o público brasileiro quer se ver na tela, sim. O repórter viajou a convite da organização do festival

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