Festival do Cinema Judaico atrai multidão

Embora a Sala Arthur Rubinstein, da Hebraica, tenha mais de 700 lugares, eles foram insuficientes para abrigar o numeroso público que foi ver One Day in September, no domingo à noite. O documentário de Kevin MacDonald, vencedor do Oscar da categoria deste ano, foi exibido após a cerimônia de premiação dos melhores do 5.º Festival do Cinema Judaico. Por exigência do produtor Arthur Cohn, o filme só poderia ser exibido uma vez, mas por sua conta e risco os organizadores assumiram a decisão de promover, em seguida, outra sessão para as mais de 600 pessoas que ficaram de fora.Como toda cerimônia de premiação, a do 5.º Festival Judaico foi uma comédia de erros que levou o público a manifestar-se aos gritos, exigindo "o filme!, o filme!". Mas as decisões do júri presidido pelo crítico e jornalista Luiz Carlos Merten, do jornal O Estado de S. Paulo, e integrado pelo cineasta Roberto Gervitz, pelo produtor e diretor Alain Fresnot, e pelo jornalista, crítico e apresentador Rubens Ewald Filho, foram bem-recebidas pela platéia. Os maiores aplausos, porém, foram para o vencedor do prêmio do público - Gloomy Sunday, de Rolf Schübel.O júri outorgou dois prêmios - para a melhor ficção e para o melhor documentário. O melhor filme de ficção foi Hanele, do cineasta da República Checa Karel Kachyna. Nos anos 60, ele foi um dos expoentes da geração que se destacou na então Checoslováquia, aproveitando o clima de liberdade do que ficou conhecido como "a primavera de Praga". É daquela época Viva a República, exibido com sucesso, de público e crítica, no Brasil. Kachyna conta agora em Hanele a história de uma garota judia impossibilitada de viver um grande amor pela intransigência dos ortodoxos. Na sua justificativa, o júri destacou não apenas que se trata de "uma bela e singela história de amor, soberbamente realizada", mas também um documento importante por mostrar que "aqueles que viveram a intolerância são muitas vezes capazes de reproduzi-la de forma terrível".O melhor documentário, Um País Neutro, de Kaspar Kasics, desmonta o mito da neutralidade da Suíça e expõe como o país colaborou com o nazismo para discutir a responsabilidade, numa perspectiva contemporânea. Os vencedores serão reprisados quarta e quinta, na Hebraica.

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