Festival discute política e bilheteria do cinema latino

O cinema latino-americano é político demais para o público americano? A polêmica foi despertada hoje num debate entre cineastas, exibidores e produtores em Washington. A partir desta quinta-feira, a capital dos Estados Unidos vai sediar um Festival de Cinema Latino-Americano, que vai durar dez dias e tem 36 filmes na programação.O objetivo era discutir porque os filmes da América Latina, em geral, não são sucesso de bilheteria nos EUA. Em parte, acredita-se que isso acontece porque são filmes "muito esquerdistas". Mas as opiniões, claro, se dividiram. O diretor uruguaio Luis Nieto, por exemplo, assumiu a política em seus filmes. "Crio que não temos que sentir vergonha por fazer um cinema político", disse o diretor de Estrela del Sur.Germán Valverde, diretor de fotografia do equatoriano Fuera de Juego, disse que o filme é mesmo "eminentemente político". E disse mais: que não poderia ser de outra forma num país que viu emigrar mais de meio milhão de pessoas nos últimos três anos e em que o presidente nunca terminou o mandato. "Quando mudarem as condições sociais, políticas e econômicas, provávelmente contaremos histórias de amor", disse ele.Para Michael Jack, exibidor americano que representava a American Film Association no debate, confirmou a impressão de alguns dos participantes, dizendo que o cinema latino-americano é "muito subjetivo". Para ele, no entanto, haver subjetividade no cinema da América Latina não é importante. Mais importante é que "temos um cinema latino-americano".Aqui no Brasil, desde quando a produção cinematográfica regular foi retomada em meados dos anos 90, problemas sociais e políticos têm marcado presença constante nas telas. Alguns dos maiores sucessos nacionais são filmes marcadamente críticos da realidade brasileira. Cidade de Deus e Carandiru são os dois mais destacados exemplos. Mas O Invasor, Matadores e Ônibus 174 podem tranqüilamente fazer parte da lista. O público americano não sabe o que está perdendo.

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