Festival de Veneza volta atenção às tragédias nos EUA

Duas tragédias norte-americanas, o ataque terrorista contra as torres gêmeas e o furacão Katrina, que devastou Nova Orleans, foram os centros da atenção do terceiro dia do 63º Festival de Veneza, mas não participaram do concurso. "World Trade Center", de Oliver Stone, e "When the leeves broke", de Spike Lee, foram recebidos por vaias e aplausos: parte do público não aceitou a retórica "patriota" de Stone, enquanto Lee recebeu aplausos unânimes pela denúncia da incompetência das autoridades locais no momento de ajudar à população. Esses dois filmes ofuscaram os outros dois, que concorriam ao Leão de Ouro, o "Zwartboek" (O Livro negro), do diretor holandês Paul Verhoeven, e "Daratt" (Estação Seca), de Mahamat-saleh Haroun.O primeiro é baseado em fatos reais, ocorridos na Holanda durante a ocupação alemã, e conta a história de uma jovem judia, que consegue escapar da morte unindo-se à resistência e se tornando amante do chefe do serviço secreto nazista, pelo que é acusada de colaboracionismo e de ter delatado seus companheiros de luta. A trama confirma o velho ditado de que não basta a realidade de uma história para que ela transmita credibilidade. A quantidade de peripécias contraditórias que atravessa a protagonista, interpretada por Clarice van Houten, a grande quantidade de suspeitos de fazer jogo duplo, além da chatice na característica psicológica das personagens, terminam par acabar com o interesse do filme.Já "Daratt" é muito melhor e mais convincente, no qual um jovem, instigado por seu avô, procura o assassino de seu pai. Haroun volta à Mostra que o havia premiado pela melhor obra-prima em 1999 por "Bye Bye África" com esse filme que enfrenta um dos problemas dos países pós-guerras civis, a de olhar para o futuro decidindo entre o perdão ou o castigo dos culpados e entre fazer justiça ou manter uma espiral da violência aberta. TragédiasOliver Stone continua mostrando sua visão sobre as tragédias em seu país com este "World Trade Center" que conta o milagroso salvamento de dois policiais entre os escombros das torres gêmeas, de onde apenas mais sete pessoas sobreviveram. Em uma mescla de resignação dos soterrados ainda com vida e o desaparecimento de pessoas, Stone não renuncia à retórica norte-americana voltada à família, patriotismo e religião, elementos da formação de uma sociedade e que provocam reações adversas no público. Enquanto Spike Lee redescobre sua vocação de denúncia com o documentário "Quando os diques se rompem" no qual mostra todas as falhas da administração local e nacional, enfatizando a solidariedade entre os mais pobres, as principais vítimas do Katrina.

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