Festival de Veneza tem primeira exibição brasileira

'Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo', de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, aborda irrigação no Nordeste

Ansa,

04 de setembro de 2009 | 15h40

O filme Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, uma mistura de documentário com ficção, foi exibido hoje na seção Horizontes da 66ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza.

Filme aborda o impacto ecológico de um canal de irrigação no sertão nordestino. Foto: Divulgação

 

A produção, dirigida pelos diretores Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, narra a história de um geólogo que trabalha na instalação de um canal de irrigação no sertão nordestino.

 

Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo lida também com o impacto ecológico que o canal retratado levará à região, assim como os benefícios daqueles que receberão a água e os prejuízos dos sertanejos que perderão suas terras com o sistema de irrigação.

 

Para rodar a obra, os cineastas utilizaram uma linguagem próxima à usada em um diário de viagem.

Na entrevista coletiva concedida após a apresentação do filme, Gomes e Aïnouz disseram que enfrentaram muitas dificuldades para captar recursos.

"Enquanto esperávamos o financiamento de nossos projetos, decidimos começar a filmar mais que uma história, mas um ambiente, uma paisagem, uma população, e continuamos voltando a estes lugares, onde encontramos sempre novos estímulos", explicou Gomes.

O cineasta, que já dirigiu Cinemas, Aspirinas e Urubus, ressaltou que sua obra busca alcançar "um cinema livre e inventivo, que fala tanto de amores como de desamores e ao mesmo tempo faz reflexões sobre o cinema".

Aïnouz, por sua vez, conhecido por Madame Satã e O Céu de Suely, revelou como foi filmar duas vezes os mesmos cenários após um longo intervalo de tempo.

"Voltar aos lugares onde filmamos uma ou outra vez significou voltar a tecer relações com os habitantes do lugar e constatar as mudanças na paisagem, enquanto nossa câmera roubava imagens para um diário feito para ser visto, e não lido", comentou.

Aïnouz disse considerar que "cada país tem seu sertão", e que no caso do Brasil "é uma palavra que combina o desejo como paisagem e a solidão e o isolamento como estado anímico".

Neste sábado, 5, o cinema brasileiro volta às telas de Veneza com Insolação, de Felipe Hirsch e Daniela Thomas.

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