Festival de Veneza começa com filme dos irmãos Coen

Grandes vencedores do Oscar este ano apresentam 'Burn After Reading', com Pitt e Clooney no elenco

Luiz Zanin Oricchio, enviado especial do Estado,

08 de agosto de 2027 | 11h20

A 65ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza começa nesta quarta-feira, 27, com a exibição, fora de concurso, da última criação dos irmãos Coen, Burn After Reading. Produção norte-americana capaz de mobilizar nomes estelares como George Clooney, Brad Pitt, Tilda Swinton e Frances McDormand para desfilar no tapete vermelho do Lido rumo ao Palácio dos Festivais, Burn After Reading é o tipo de filme que é o sonho de consumo dos diretores de festivais do mundo, capaz de aliar glamour a qualidade garantida.   Joel Coen, Tilda Swinton, Frances McDormand, Brad Pitt, George Clooney e Ethan Coen em Veneza. Foto: Denis Balibouse/Reuters   É equilibrando-se entre essas duas exigências - uma mercadológica, outra estética - que Veneza dá início à maratona de filmes que se inicia a partir de quinta. Só para a competição principal, aquela que conduz ao cobiçado Leão de Ouro, há 21 longas-metragens. Mas é possível que, ao longo do certame, entre mais um - o já tradicional "filme-surpresa" para compor a soma de 22 competidores. Tem sido assim e uma dessas surpresas, apresentada tarde da noite para jornalistas tontos de sono, abocanhou o prêmio principal - Em Busca da Vida, do chinês Jia Zhang-Ke, em 2006.   Burn After Reading, um misto de filme de espionagem e comédia de pastelão, conta história de dois funcionários de uma academia de Washington se envolvem no mundo da espionagem internacional, com consequências mortais.   O filme traz Joel e Ethan Coen trabalhando novamente com Frances McDormand - que é casada com Joel e recebeu um Oscar por seu papel em Fargo, de 1996, feito pelos dois irmãos - e também com Clooney, dirigido por eles em E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?.   Clooney admite que curte fazer o papel de idiota sob a direção dos irmãos Coen, que este ano tiveram um grande triunfo no Oscar, onde seu drama Onde os Fracos Não Têm Vez recebeu quatro estatuetas, incluindo as de melhor filme e melhor direção. "Já fiz três filmes com eles, e eles os chamam de minha trilogia de idiotas", disse o ator a jornalistas depois de uma sessão da produção para a imprensa.   Dos autores postulantes ao Leão de Ouro, alguns são bem conhecidos, como o norte-americano Jonathan Demme, que concorre com Rachel Getting Married, ou o japonês Takeshi Kitano, com Akires to Kame. Kitano já ganhou um Leão de Ouro, com Hana-Bi - Fogos de Artifício e, desde então, tornou-se habitué do festival. Além de Kitano, outros realizadores japoneses comparecem a Veneza - e o curioso é que com dois filmes de animação: Ponyo on Cliff by the Sea, do badalado Hayao Miyazaki, e The Sky Crawlers, de Momoru Oshii.   Há também obras de muitos outros países, como Inju, la Bête dans L'Ombre, de Barbet Schroeder (França), Gabbla, de Tariq Teguia (Argélia, França), Teza, de Haile Gerima (Etiópia, Alemanha, França), Paper Soldier, de Aleksey German Jr. (Rússia), etc. Uma das estréias mais aguardadas, é a do mexicano Guillhermo Arriaga (roteirista dos grande sucessos do seu compatriota Alejandro Gonzáles Iñárritu, com Amores Brutos e Babel), que assina The Burning Plain, mas sob bandeira norte-americana, tendo Charlize Theron e Kim Basinger no elenco, além do português Joaquim de Almeida.   O Brasil não fica totalmente de fora de Veneza. O País aparece como co-produtor (com China, Hong Kong e Japão) de Plastic City, de Yu Lik-Wai, filmado no Bairro da Liberdade, em São Paulo. A mesma produtora paulista de Plastic City, dos irmãos Caio e Fabiano Gullane, aparece também nos créditos de Birdwatchers, do ítalo-argentino Marco Becchis (de Garagem Olimpo). Há ainda mais Brasil no segundo, Birdwatchers (Observadores de Pássaros), que no entanto aparece apenas como italiano no site do festival. Ele fala da destruição da cultura guarani-caiová, no Mato Grosso. O filme tem 80% do capital italiano e 20% brasileiro. Mas é filmado no Brasil, interpretado pelos índios, e também por um elenco de nomes conhecidos, como Leonardo Medeiros e Matheus Nachtergaele, que contracenam com colegas italianos como Claudio Santamaría e Chiara Caselli.   Confira a lista completa dos filmes em competição: The Wrestler, de Darren Aronofsky (EUA) The Burning Plain, de Guillermo Arriaga (EUA) Il Papa di Giovanna, de Pupi Avati (Itália) BirdWatchers, de Marco Bechis (Itália) L'Autre, de Patrick Mario Bernard e Pierre Trividic (França) Hurt Locker, de Kathryn Bigelow (EUA) Il Seme Della Discordia, de Pappi Corsicato (Itália) Rachel Getting Married, de Jonathan Demme (EUA) Teza, de Haile Gerima (Etiópia/Alemanha/França) Paper Soldier, de Aleksey German Jr. (Rússia) Süt, de Semith Kaplanoglu (Turquia/França/Alemanha) Achilles and the Tortoise, de Takeshi Kitano (Japão) Ponyo on Cliff by the Sea, de Hayao Miyazaki (Japão) Vegas: Based on a True Story, de Amir Naderi (EUA) The Sky Crawlers, de Oshii Mamoru (Japão) Un Giorno Perfetto, de Ferzan Ozpetek (Itália) Jerichow, de Christian Petzold (Alemanha) Inju, la Bête Dans L'ombre, de Barbet Schroeder (França) Nuit de Chien, de Werner Schroeter (França/Alemanha/Portugal) Inland, de Tariq Teguia (Argélia/França) Plastic City, de Yu Lik-wai (Brasil/China/Japão)   (Com Reuters)

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