Fox Film
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Festival de Veneza: Brad Pitt faz jornada intimista no espaço em 'Ad Astra'

Filme de James Gray intercala cenas de ação com ruminações sobre a masculinidade e a falta de conexão; veja trailer 

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 16h27

VENEZA - Uma aventura espacial se mistura à jornada intimista do astronauta Roy McBride (Brad Pitt) em Ad Astra: Rumo às Estrelas, de James Gray, exibido na competição do 76º Festival de Veneza. “Este foi meu filme mais desafiador”, disse o ator na coletiva de imprensa que se seguiu à exibição para a imprensa. “A história é delicada, então exigia um esforço constante para manter o equilíbrio.” 

O diretor de Os Donos da Noite e Amantes, entre outros, volta a falar do que mais entende: as relações familiares. De certa forma, Ad Astra espelha seu longa anterior, Z - A Cidade Perdida, sobre a história verdadeira do explorador britânico Percy Fawcett, que desapareceu na Amazônia procurando traços de uma civilização avançada. Em Ad Astra, Roy nunca se recuperou do sumiço do pai, o também astronauta H. Clifford McBride (Tommy Lee Jones), líder do Projeto Lima, de investigação de vida extraterrestre. Se em Z ele se baseou em Rudyard Kipling, em Ad Astra as inspirações foram Coração das Trevas, de Joseph Conrad, que também serviu de fonte para Apocalipse Now, e Moby Dick, de Herman Meville. Mas também o documentário For All the Mankind, com imagens em 16 mm feitas pelos astronautas das missões Apollo, em que viu que a vista da Lua é uma grande escuridão.

Pitt e Gray se conhecem desde a década de 1990 e sempre falaram de fazer algo juntos. “Nunca tivemos uma relação masculina normal”, contou Pitt. “Sempre falamos abertamente das coisas que deram errado, nossos fracassos e sentimentos.” Ele acha que sua atuação transparece suas próprias dores e traumas de infância. “Se eu não for honesto, a experiência também não vai ser para o espectador.” Por isso, o diretor usou todo o potencial dos closes. “Ele mostra o que está dentro do ator e é a grande contribuição do cinema. O close não mente, conta uma verdade que é maior que a nossa.”

Num futuro não muito distante, Roy é mandado numa missão até a Lua e depois Marte para entrar em contato com seu pai, desaparecido há 16 anos e agora suspeito de estar causando picos de energia na Terra, responsáveis pela morte de milhares de pessoas. “Em retrospecto, nas nossas conversas iniciais James e eu falamos muito da definição de masculinidade”, disse Pitt. “Essa coisa de ser criado para ser forte, não poder mostrar fraqueza, não ser desrespeitoso. Isso tem seu valor, mas também cria uma barreira porque você recusa as dores, as coisas de que se envergonha, os arrependimentos.”

A visão de James Gray, que escreveu o roteiro com Ethan Gross, não é nem pessimista nem otimista. A Lua, que o homem colonizou, virou uma espécie de sucursal da Terra, com shoppings, guerras e piratas. Até completar sua missão, Roy passa por muitos percalços, em cenas de ação surpreendentes, mas a cada etapa questiona sua vida, sua dificuldade de se relacionar, a vontade de não ser como o pai, o perigo da falta de conexão humana, em reminiscências em off que lembram Terrence Malick.

Ad Astra, que tem produção da Plan B de Brad Pitt e do brasileiro Rodrigo Teixeira, mudou algumas vezes de data de estreia por causa da aquisição da Fox pela Disney - o lançamento no Brasil está previsto para 26 de setembro. “Tenho muita curiosidade de saber como vai ser a reação, porque demos muito”, disse Pitt. “É um filme desafiador, sutil, que opera em muitas frentes. E tem algo a dizer sobre o que somos, nossa alma, se você acredita nisso, sobre por que seguimos em frente.” Mas ele desconversou ao ser indagado sobre suas chances no Oscar. “É uma loteria. Tem ano que é sua vez, imagino que seja divertido. Tem ano que é de outro, que possivelmente é seu amigo, então é divertido também.”

 

 

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