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Festival de Toronto, o termômetro de Hollywood

Festival canadense conhecido por indicar filmes com chances para o Oscar começa hoje com história da WikiLeaks

Elaine Guerini - Especial para o Estado, de Toronto, O Estado de S. Paulo

04 Setembro 2013 | 20h51

A história da organização WikiLeaks, que publica na internet documentos confidenciais de governos e empresas, inaugura nesta quinta (5) em Toronto a vitrine com as apostas para o Oscar 2014. O Quinto Poder, drama assinado por Bill Condon, faz a sua première mundial na abertura da 38.ª edição do TIFF (Toronto International Film Festival), evento conhecido por indicar os filmes com chances de disputar os prêmios da Academia de Hollywood no ano seguinte.

Toronto conquistou a posição de termômetro para o Oscar em parte por apresentar uma maior concentração de filmes de língua inglesa nas mostras principais. Embora seja o quarto maior festival do mundo em prestígio – perdendo para Cannes, Veneza e Berlim, mais tradicionais –, o TIFF leva diante dos concorrentes europeus a vantagem de revelar um número maior candidatos ao prêmio máximo do cinema.

Títulos como Crash - No Limite (2004), Quem Quer Ser um Milionário? (2008) e O Discurso do Rei (2010) iniciaram em Toronto uma trajetória que culminou com a conquista da estatueta de melhor filme. O último vencedor do Oscar, Argo’, em que Ben Affleck reviveu história verídica de agente da CIA que resgatou reféns americanos no Teerã, fingindo ser produtor de Hollywood, também saiu de Toronto. Ainda que Argo’ tenha sido exibido em Telluride, um festival pequeno nos EUA, alguns dias antes da projeção em Toronto, foi na capital canadense que a campanha rumo ao Oscar decolou.

A realização estratégica, sempre no mês de setembro, também ajuda o TIFF. É nesta época do ano que muitos filmes com pretensões de brigar pelo Oscar ficam prontos. Um dos critérios impostos aos candidatos pela Academia de Hollywood é o lançamento do título em circuito comercial até dezembro na América do Norte. Outro chamariz é o fato de o evento não ser competitivo, premiando apenas o filme escolhido como o melhor pelo público – diferentemente de Cannes, Veneza e Berlim, famosos por entregarem a Palma, o Leão e o Urso de Ouro, respectivamente.

A maratona deste ano exibirá 366 filmes (288 deles longas) até o dia 15, data de encerramento do evento sediado no Bell Lightbox, edifício de cinco andares que lembra uma caixa retangular de vidro. Entre eles está Third Person, no qual Paul Haggis apresenta três histórias de amor impossíveis interconectadas, na linha de Crash - No Limite, seu filme mais aclamado. Com locações em Roma, Paris e Nova York, o drama cruza os caminhos dos personagens de Adrien Brody, Liam Neeson, Kim Basinger, Olivia Wilde, Mila Kunis e James Franco.

O cineasta Steve McQueen, de Shame (2011), faz em Toronto a première mundial de 12 Years a Slave, sobre homem livre que é raptado e vendido como escravo no século 19, trazendo Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Brad Pitt e Paul Giamatti no elenco.

O drama August: Osage County, de John Wells, é uma adaptação da peça homônima, que deu ao dramaturgo Tracy Letts o prêmio Pulitzer e o Tony. Para encabeçar a família que precisa adereçar os conflitos e os traumas do passado, o diretor escolheu Meryl Streep – que está implacável no trato com as filhas, vividas por Julia Roberts, Julianne Nicholson e Juliette Lewis.

Outro filme com perfil de Oscar é Rush – No Limite da Emoção, em que Ron Howard revisita uma das temporadas mais eletrizantes da história da Fórmula 1, a de 1976 – quando dois jovens pilotos, Niki Lauda (Daniel Brühl) e James Hunt (Chris Hemsworth) enfrentavam-se duramente dentro e fora das pistas.

Jason Reitman volta a priorizar Toronto, como plataforma de campanha, com Labor Day – depois de Amor Sem Escalas (2009) e Juno (2007). Desta vez, o cineasta se aprofunda na relação de mãe divorciada e deprimida (Kate Winslet) com o filho de 13 anos (o estreante Gattlin Griffith). A chegada de um tipo misterioso (Josh Brolin) mudará o rumo de suas vidas.

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