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Festival de Sundance terá duas produções do Brasil

Rodrigo Teixeira emplaca dois filmes em língua inglesa na festa indie

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

10 Dezembro 2014 | 03h00

Oito da manhã – a assessora liga para dizer que o produtor Rodrigo Teixeira atrasou alguns minutos com os filhos no trânsito, ao levá-los à escola, mas já vai chamar. Dez minutos de atraso assim tão cedo configuram uma pontualidade ‘quase’ britânica. O produtor de O Cheiro do Ralo e Tim Mais explica-se – para um empresário com carreira internacional, como ele, é importante comunicar-se com sócios que estão horas à frente, em diferentes partes do mundo. No início desta semana, ele estava feliz da vida – embora um tanto preocupado.

Sua empresa, a RT Features, tem dois filmes na seleção do Sundance Festival, mas Teixeira tinha de esperar pelo anúncio oficial para começar a dar entrevistas. Antecipando-se, ele corria o risco de sofrer represálias por causa da organização do evento em Utah. Os dois filmes são em língua inglesa – em um, The Witch/A Bruxa, a RT é sócia. No outro, Mistress America, é a empresa majoritária. O primeiro é uma parceria com um novo diretor, Robert Eggers. Com o segundo, a RT já tem história, pois produziu o longa anterior de Noah Baumbach, o internacionalmente aclamado Frances Ha.

The Witch é um terror de época, que se passa no período das guerras coloniais na ‘América’. Família mora junto a uma floresta habitada pela bruxa do título. Floresta, bruxa – o diretor Eggers está querendo repetir o fenômeno Bruxa de Blair? “É um filme muito interessante, inteligente. Acho que traz algo novo a um gênero que, no geral, trabalha muito sobre clichês. Conheci o projeto num laboratório em Sundance e embarquei porque o diretor me pareceu muito talentoso.” No caso de Mistress America, a parceria com Noah Baumbach e sua companheira, Greta Gerwig, surgiu naturalmente, como decorrência das afinidades reveladas em Frances Ha.

De novo Baumbach dirige, Greta atua e ambos assinam o roteiro – com a participação da também atriz Lola Kirke, irmã de Jasmine Kirke (de Girls). O filme é sobre garota que vai estudar em Nova York e leva uma vida solitária – até ser resgatada pela filha do futuro padrasto. Baumbach procura captar, mais uma vez, a contemporaneidade. Famílias de sangue (ou não), busca do sonho, dificuldade de (auto)aceitação, superação. Rodrigo Teixeira confessa-se entusiasmado com Mistress America. Para um filme indie, com um perfil autoral, não poderia haver melhor vitrine que Sundance. Sua empresa participa desses filmes utilizando dinheiro de investidores. Ele explica – “É mais fácil conseguir parcerias para filmes internacionais, principalmente em língua inglesa. Além do mercado mais amplo, são produções que trabalham com pré-venda, e isso sempre representa garantia para quem vai colocar dinheiro do bolso, não através de renúncia fiscal.”

Rodrigo Teixeira tem sido um dos mais ativos produtores brasileiros. Com Alemão, estrelado por Cauã Reymond, ele quase bateu no milhão de espectadores – 950 mil –, fornecendo ao diretor José Eduardo Belmonte seu maior sucesso de público. Tim Maia, embora abaixo da expectativa, fez 800 mil espectadores, e isso de maneira nenhuma pode ser considerado um fiasco num ano em que as comédias ditaram as regras, e até elas não estouraram como em outros anos. Teixeira filma atualmente o novo Marco Dutra em Montevidéu – o filme ainda não tem título. Outra parceria internacional é com o franco-argentino Noë Gaspar, que promete novo escândalo com Love, que roda debaixo do maior segredo em Paris. O próprio Teixeira afirma ter visto somente fotos do filme, cujo set ainda pretende visitar.

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