Festival de Roma exibe documentário sobre violência no Brasil

'Manda Bala' é uma construção de como se funciona a indústria do seqüestro em especial em São Paulo

Francesco Norci, da ANSA

07 Outubro 2010 | 19h20

"Este filme não pode ser mostrado no Brasil", adverte o documentário Manda Bala, dirigido pelo jovem norte-americano Jason Kohn, exibido no Festival de Cinema de Roma. Assistindo ao filme, que já foi premiado no Sundance Film Festival, entende-se logo por quê.   Manda Bala é uma construção irônica de como se relacionam a indústria do seqüestro, em especial da metrópole de São Paulo, que recebe os imigrantes que fogem da miséria do campo, e os políticos corruptos das regiões menos centrais do país responsável por enormes desvios de fundos públicos.   Triste e curiosamente, Kohn aponta que a indústria do seqüestro alimenta também às vendas de carros blindados e a indústria da cirurgia plástica, uma vez que a prática comum, segundo o filme, é enviar para a família pedaços da orelha da vítima - que depois precisa ser reconstruída.   Desfilam diante da câmera os personagens de um mecanismo azeitado: o senador corrupto que possui uma fazenda de criação de rãs, um seqüestrador Robin Hood pai de 10 filhos, um empreendedor, um cirurgião plástico, uma jovem que tem sua orelha amputada. Trata-se de um microcosmo congestionado cuja semelhança com São Paulo é evidente: na luta pela sobrevivência, rã come rã.   As declarações são ladeadas por uma série de imagens de uma metrópole ultramoderna em uma geometria que demonstra como um teorema matemático a triste vitalidade do crime e da corrupção.

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