Festival de Roma abre competindo com Veneza

O Festival de Cinema de Roma, que começa nesta sexta feira com 95 filmes em cartaz, convidados ilustres como Sean Connery, Martin Scorsese e Nicole Kidman, mal estreou e já é visto como grande rival e possível ameaça ao festival de Veneza.A imprensa italiana chegou a usar o termo ?guerra fria? para definir o clima de competição que se instaurou entre as duas cidades, principalmente porque entre um festival e o outro se passou apenas um mês.Há quem acredite que essa rivalidade só deverá enfraquecer os festivais das duas cidades e há quem torça por um ou pelo outro, como o cineasta Martin Scorsese, para quem Roma é, naturalmente, a ?cidade do cinema?.Mas para outros, como o crítico de cinema Paolo D?Agostini, a rivalidade ?será um estímulo para uma competição boa e saudável?."Cinecittá"O centro da festa do cinema de Roma será o Auditorio, conjunto de salas para concertos projetado pelo arquiteto Renzo Piano. Mas a agenda, que vai até dia 21, prevê eventos em vários pontos da cidade, do centro à periferia.Um desses pontos é a célebre Cinecittà - complexo de estúdios onde foram realizados Cleópatra e Ben-Hur além dos filmes de mestres como Federico Fellini, De Sica e outros.A via Veneto, rua que ganhou fama com A Doce Vida de Fellini, tornando-se símbolo do período de ouro do cinema italiano e dos ?paparazzi?, foi transformada em área de negócios, para a compra e venda de filmes durante o festival.Além da projeção de filmes haverá mostras de roupas de cena e fotos, apresentação de filmes restaurados - como Roma Cidade Aberta, de Roberto Rossellini, homenagens, concertos e palestras.?É uma festa, não um festival. Um ato de gratidão para com o cinema?, fez questão de esclarecer o prefeito Walter Veltroni em entrevista ao jornal ?La Stampa?, com intenção de acalmar o tom da disputa com Veneza.A declaração foi interpretada como uma resposta às criticas do diretor do festival de Veneza, Marco Muller. Assim que soube da iniciativa romana, Muller comentou que apenas os filmes que Veneza e Cannes recusaram participariam do festival de Roma. Não há grandes nomes do cinema entre os 16 principais filmes em concurso em Roma.BrasilNas sessões paralelas, concorrendo a prêmios menores, há dois brasileiros. Breno Silveira com Dois Filhos de Francisco, na sessão Alice nela Città e Fernando Meirelles e Regina Casé com Cidade dos Homens, minissérie da TV Globo em pré-estréia internacional na sessão Extra.As maiores estrelas não têm filmes em concurso. Sean Connery será homenageado com um prêmio e uma retrospectiva. Martin Scorsese apresenta, com Leonardo di Caprio, seu último filme, The Departed. Nicole Kidman apresenta Fur, de Steven Shainberg.A imprensa italiana comenta que Roma tem mais convidados famosos que Veneza. Na opinião do crítico de cinema Paolo D?Agostini, a competição não é um problema. Ele acha que os dois festivais podem conviver sem problema porque tem identidades diferentes e bem marcadas. Roma seria mais popular, e a caríssima Veneza mais elitista.?A ambição de Roma é a de restituir ao cinema a sua dimensão popular?, disse D?Agostini, em entrevista à BBC Brasil. Segundo ele, isto será evidenciado com o destaque dado aos atores, símbolo da popularidade. ?Ao invés de entrevistas coletivas para jornalistas, eles vão falar com o público?.O público poderá encontrar Robert de Niro e outros atores, além de cineastas como Martin Scorsese, Luc Besson, Bernardo Bertolucci e Marco Bellocchio. O preço do ingresso é de cinco euros e, segundo o prefeito de Roma, já foram vendidos 40 mil.O júri, cujo presidente é o cineasta Ettore Scola, será majoritariamente popular. Os 50 jurados foram escolhidos entre pessoas comuns que não trabalham na área de cinema.?Já Veneza, que é o mais antigo festival de cinema do mundo, fundado em 1932, sempre teve uma vocação elitista, mais exclusiva, muito artística?, analisa Paolo D?Agostini.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.