Festival de Locarno traz produções internacionais

'Irmã de Kátia', 'Filho de Ranbow' e 'Um Outro Homem' concorrem no festival suíço

Rui Martins, especial para o Estado,

08 de agosto de 2014 | 17h58

O Festival de Locarno, na Suíça, traz produções internacionais como A Irmã de Kátia, Filho de Ranbow e Um Outro Homem. O primeiro, A Irmã de Kátia, se passa em Amsterdã e se baseia num livro espanhol de Andres Barber. O segundo, Filho de Ranbow, é uma dos mais divertidos e deve agradar o público brasileiro. O último, Um Outro Homem, retrata a caricatura de um jornalista suíço.   Veja também: 'Amor de Perdição' está entre os favoritos em Locarno Curtas reúnem brasileiros; conheça nosso homem em Locarno 'Dez Elefantes', de Eva Randolph, estréia em Locarno Com muitos aplausos, 'Filmefobia' estréia em Locarno   A Irmã de Kátia   O filme se passa em Amsterdã e se baseia num livro espanhol de Andres Barber, a diretora é a holandesa Mijke de Long, as duas atrizes principais são de origem russa e a ´irmã de Kátia´ é de uma família bósnia que se refugiou na Holanda na época da guerra de fragmentação da Iugoslávia. Essa mistura de origens mostra bem a realidade da nova Europa em vias de se transformar num grande país continental.   Ao contrário da maioria dos outros filmes da competição, A Irmã de Kátia não tem uma preocupação social, exceto a de que as mulheres precisam trabalhar para sobreviver e que, em Amsterdam, onde um bairro tem mulheres nuas nas vitrinas e uma profusão de lojas de revistas e DVDs pornográficos, o exercício da prostituição não é tão mal visto como em outros países.   Donde, a mãe de Kátia é uma prostituta respeitável, como diria Sartre, e sua irmã depois de algumas liberdades sexuais com um italian lover, decide seguir a carreira da mãe. Porém, a mãe de Kátia não fica nada contente com isso, porque, no mundo da prostituição existem níveis diferentes e Kátia, bela jovem de corpo perfeito, decide ser bailarina de buate, onde dança antes de ir para a cama. O ambiente é também diferente da prostituição independente e autônoma exercida pela mãe, e Kátia é logo envolvida pelas drogas.   A irmã de Kátia, de 13 anos, morena, gorda, de óculos, tem um olhar ingênuo sobre o mundo familiar e, na escola, quando o professor faz aquela velha pergunta do que você quer ser quando crescer, ela escreve - quero ser ser apenas a imrã de Kátia. E, enquanto sua mãe e irmã trabalham, ela cuida da casa e prepara as refeições.   Solitária, sem consciência do mundo real, a irmã de Kátia é abordada numa praça por um evangelista que lhe fala de Jesus e da Bíblia. Encantada pelo pregador que lhe dá atenção, ela sai, enfim, do seu mutismo e isolamento, contando-lhe pormenores de sua família. Como sua mãe e irmã dizem que `os homens só querem mesmo uma coisa´, ela acaba por perder seu confidente ao lhe propor com a maior ingenuidade uma boqueta ou punheta, provocando uma fuga precipitada do pregador de sua casa.   Fãs de Rambo Stallone   Sem dúvida o mais divertido filme exibido na Piazza Grande, Filho de Ranbow (Son of Ranbow) vai ser sucesso também quando passar no Brasil com a vantagem de se destinar a todas as idades, não podendo ser catalogado como filme para crianças.   Mas, é verdade, a maioria de seus personagens são adolescentes e os adultos quando entram em cena são mesmo só para atrapalhar. A idéia original do próprio diretor Garth Jennings (ele afirma não ter se inspirado nas estrepolias de Tom Sawyer, de Mark Twain) põe em cena dois meninos de comportamentos opostos mas que acabam se unindo no esforço de fazer um filme, em princípio destinado a um concurso proposto pela BBC.   Will é o menino bonzinho mas criativo, cuja mãe pertencente a uma seita inglesa, tipo pentecostal, lhe proíbe ouvir música, dançar, ver televisão e brincar com outras crianças. Vive assim protegido do mundo exterior, dedicando-se aos desenhos que faz em cima das páginas da Bíblia e aos quais consegue mesmo imprimir movimentos.   Seu pequeno mundo implode quando conhece Lee Carter, o terror dos professores da mesma escola, vidrado em fazer filmagens com uma câmera amadora. É na casa de Lee Carter que vê o filme Rambo, com Sylvester Stallone, o suficiente para querer romper com o mundinho fechado em que vivia, enquanto desenha praticamente o story-board das aventuras do filho de Ranbow, como passa a se designar.   Lee Carter, o moleque malvado, filma o pobre Will nas ações mais perigosas de Ranbow, e rompe com seu irmão de sangue, quando começam as filmagens do Filho de Ranbow, onde surge um adolescente francês megalo acompanhado de um bando de alunos que o obedece cegamente. O filme conta as peripécias das filmagens e conclui com o filme ´feito` pelos adolescentes.   O Crítico Plagiador   Um Outro Homem é um filme suíço que, por certo, não tem boa crítica suíça, porque mostra a caricatura de François, um jornalista suíço do interior, mau caráter que, obrigado a comentar os filmes exibidos no pequeno cinema dea sua cidade, não hesita em copiar as críticas publicadas numa revista francesa especializada.   Lionel Baier, o diretor, se defende de qualquer acusação de visar algum crítico em particular, mas explica que, na juventude conheceu muitos críticos, donde a inspiração para o filme.   `Quando jovem, trabalhava como projecionista do cinema Richemont, em Lausanne, nas sessões reservadas à imprensa com os filmes em lançamento, conta Baier. Ouvia suas conversas no bar, antes e após as projeções, e isso me fascinava!´   Perguntado se houve um caso parecido de plagiato na imprensa suíça, Baier respondeu afirmativamente, porém explicou não ter sido praticado por um jornalista mas por um pintor suíço, que vivia em Paris. Para obter a aceitação local entre os artistas, tal pintor começou a publicar críticas sobre pinturas, mas o texto era copiado de gente mais categorizada. Houve escândalo, mas isso já tinha serviço para o pintor se infiltrar numa família abastada e casar-se mesmo com uma das filhas.   O filme tem, portanto, esse outro ângulo - François, o jornalista crítico de cinema plagiador consegue subir na profissão. Sem escrúpulos para copiar e publicar artigos de outro em seu nome, pouco se importa em ser o amante de uma jornalista de prestígio de Genebra, Rosa, que exerce sobre ele autoridade, e de ser seu marido quem lhe oferece um importante posto na imprensa local.   A relação que nasce de conversas sobre filmes entre Rosa e François torna-se bastante tórrida e sexual com o plagiador aceitando satisfazer todos os caprichos da autoritária jornalista crítica de cinema, inclusive o de lhe escrever seus artigos quando a amante está ocupada no cabeleireiro. Nessa altura, de tanto plagiar, François já aprendera também a escrever seus próprios artigos.

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