Festival de Gramado vai exibir 39 filmes em competição

Será uma maratona que os cinéfilos vão adorar. Só nas mostras competitivas serão 39 filmes, 14 longas e 24 curtas e um média-metragem, mas há também as mostras paralelas, as sessões de debate e o setor de mercado, onde distribuidores, exibidores e representantes de emissoras de televisão e revendedoras de vídeo tratam de negócios com os produtores de filmes. Assim o coordenador de programação do 30.º Festival de Gramado, Luiz César Cozatti, define o encontro que ocorrerá de 12 a 17 de agosto na fria cidade serrana do Rio Grande do Sul. Este ano, são homenageados dois veteranos: o diretor e produtor Roberto Farias, que disse estar completando este ano 52 anos de cinema, e a atriz Marieta Severo. Eles receberão, respectivamente, os prêmios Eduardo Abelin e Oscarito. "Essa homenagem é meu presente por 37 anos de carreira", disse ela na entrevista coletiva que reuniu a direção do festival com cineastas e a imprensa na quinta-feira. "Fiquei imaginando por que eu e não outra atriz, já que somos tantas. Concluí que sempre estive disponível para o cinema, filmei com diretores consagrados e novatos, projetos comerciais e experimentais." Farias emocionou-se ao lembrar que a história de sua família, toda envolvida com cinema e televisão, está ligada a Gramado, desde o tempo em que o festival era só uma mostra. "Todo ano, algum Faria é premiado, mas o momento mais importante da minha vida foi, nos anos 80, quando meu filme Pra Frente Brasil venceu, com uma história sobre os porões da ditadura quando os militares ainda estavam no poder", confessou Farias. "Era dia do meu aniversário e foi meu melhor presente. No dia seguinte, o filme foi proibido e passei a sofrer todo tipo de pressão." O presidente do Festival, Enoir Zorzanello, comemora também o crescimento de Gramado, como vitrine do cinema nacional e latino. "Ainda há dificuldade para exibição dos filmes nacionais, mas posso citar pelo menos três títulos latinos que saíram de lá para boas bilheterias nacionais: Como Água para Chocolate, Morangos e Chocolate e De Salto Alto, do Almodóvar", lembrou ele. "Agora, os exibidores estão atentos também à produção nacional, mas ainda há barreiras a superar." Essa produção, segundo Cozatti, cresceu em qualidade, diversidade e regionalismo. "Como temos hoje um festival por mês, nos Estados, aparecem os filmes falando sobre os assuntos e aspectos mais diversos da cultura nacional. Foi muito bom, por exemplo, receber para a seleção dois filmes de Belém do Pará, tão distante do Sul, mas com vontade de se aproximar."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.