Festival de Gramado faz história em sua 33.ª edição

Começa hoje, com apresentação da Orquestra do Conservatório Pablo Komlós, a 33ª edição de um dos festivais mais antigos e prestigiados do País, o Festival de Gramado.Seis longas brasileiros de ficção concorrem aos Kikitos, troféus criados pela artista Elizabeth Rosenfeld. Os documentários nacionais em competição são quatro e os longas latinos, sete. O festival, que nasceu do cinema brasileiro, tornou-se latino nos anos 1990, principalmente porque a política de terra arrasada do ex-presidente Fernando Collor de Mello para a cultura havia reduzido a zero a produção nacional. Para integralizar uma seleção mínima, surgiu a idéia de abrir Gramado para filmes latinos e/ou ibéricos. Gramado virou um festival de cinema latino e brasileiro. São duas competições, na verdade cinco, se aos longas de ficção brasileiros e latinos forem somados os documentários e os numerosos curtas (este ano, são 12) e também a mostra do cinema gaúcho, que se constitui numa programação à parte. O festival de 2005 ainda nem começou e já está fazendo história - este ano há três longas produzidos no Rio Grande do Sul entre os filmes que concorrem aos Kikitos, na categoria longas. Sal de Prata, de Carlos Gerbase, é uma produção da Casa de Cinema de Porto Alegre; Diário de Um Novo Mundo, de Paulo Nascimento, é uma parceria da Accorde Filmes com a Panda Filmes e a Linha de Produção; Cerro do Jarau, de Beto Souza, é uma realização da Pedrafilmes. Este número recorde é conseqüência da atual fase vivida pelo cinema gaúcho. Há seis longas que foram finalizados este ano; 45 longas em produção e 69 projetos em andamento, incluindo os curtas. Além dos três longas gaúchos, há outras três ficções que concorrem na categoria principal - Cafundó assinala a estréia do ator Paulo Betti na direção, em parceria com Clóvis Bueno; Carreiras é de Domingos de Oliveira e o título tem duplo sentido - refere-se à droga e também à corrida pelo sucesso na sociedade da imagem; Gaijin - Ama-me como Sou não é apenas a concretização de um antigo projeto de Tizuka Yamasaki. Marca também o retorno da diretora ao festival que ela venceu em 1980, com o Gaijin original. Na categoria longas documentários, Evaldo Mocarzel tentará repetir em Gramado o êxito que Do Luto à Luta obteve no Recife, onde o filme sobre portadores da síndrome de Down levou a maioria dos prêmios. Há também Doutores da Alegria, emocionante trabalho de Dora Mourão sobre os médicos que realizam importante trabalho de assistência a pacientes hospitalares; Soy Cuba, o Mamute Siberiano, de Vicente Ferraz, sobre o mítico filme que o russo Mikhail Kalatozov realizou no começo dos anos 1960, na ilha de Fidel Castro; e Em Trânsito, de Henri Arraes Gervaisean, que aborda problemas do dia-a-dia no transporte público e privado de São Paulo. E existem os longas latinos, filmes da Argentina, do Chile, de Cuba, do México, de Portugal e da Venezuela. No geral, anuncia o coordenador técnico Hiron Goidanich (Goida), o festival deste ano está melhor do que o do ano passado. "Tivemos de aumentar de 10 para 12 o número dos curtas, porque eles estão muito bons. E também poderíamos tranqüilamente ter 10 filmes latinos. O regulamento prevê até 8, mas ficamos com 7 porque o filme cubano é muito longo. Teríamos de varar a madrugada." Ele destaca o ineditismo dos três longas gaúchos em competição ("É a primeira vez que isso ocorre, e não foi patriotada da gente", deixa claro). Também esclarece que dois filmes-eventos terão exibições em Gramado, mas não integrando a programação do festival. Um deles é o poderoso 2 Filhos de Francisco, de Breno Silveira, que será exibido na quinta-feira, dia do aniversário de Zezé di Camargo, antecipando sua estréia nacional na sexta. O outro é o longa que Fábio Barreto realizou no Rio Grande do Sul, sobre N.S. do Caravaggio.

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