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Festival de Gramado encerra neste sábado com premiações

43º edição da festa entregará o troféu Kikito aos melhores do cinema brasileiro e latino

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

15 Agosto 2015 | 06h00

E o 43.º Festival de Gramado termina hoje à noite, com a atribuição dos tradicionais Kikitos aos melhores do cinema brasileiro e latino. Foram oito dias de projeções e debates. Concorrem aos prêmios sete longas produzidos na América Latina e sete nacionais – seriam oito, se Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, não tivesse sido retirado de concurso. Ontem à noite, último dia da competição, o festival atribuiu o Kikito de Cristal a Fernando ‘Pino’ Solanas.

Oposicionista feroz da presidente Cristina Kirchner, Solanas, além de grande cineasta, é senador da República argentina. Ele falou como é se sentir solitário, fazendo filmes e discursando na contracorrente, num momento em que denúncias do ‘saqueo’ das riquezas nacionais e questões como justiça social e humanismo não têm mais o mesmo respaldo na opinião pública. Mas não desiste – gostaria de voltar à ficção, mas como? Quem vai produzi-lo? Seus documentários, ele os faz com pouco dinheiro, manejando a própria câmera.

A competição latina foi mais homogênea em Gramado, com filmes que iam se superando no dia a dia. O júri poderia premiar o uruguaio Zanahoria/Cenoura, de Enrique Buchichio, o cubano Venecia, de Kiki Alvarez, ou o colombiano Ella, de Libia Gómez-Diaz, e ninguém iria reclamar. Mas, na quinta à noite, surgiu o filme talvez mais completo da mostra – Ochentaisete, de Anahi Hoeneisen e Daniel Andrade, veio do Equador, um país sem muita tradição cinematográfica. É belíssimo. Um filme sobre amizade em dois tempos, acompanhando um grupo de garotos e os que restaram do grupo, anos mais tarde. Houve um acontecimento traumático em 1987, um momento de transição da história recente da América Nuestra. Encerravam-se os ciclos militares e, com o retorno da democracia, os exilados também voltavam a seus países.

Ochentaisete é emocionante, lindamente filmado e interpretado. Se o júri não tiver medo da emoção, poderia e até deveria vencer. Outras alternativas, em outras categorias, seria premiar o elenco feminino de Venecia e o masculino de Zanahoria. Se o júri não quiser apostar em coletivos, sempre poderá destacar o magnífico ator colombiano de Ella, Humberto Arango, ou mesmo, como coadjuvante, sua companheira, na arte e na vida, Reina Sánchez, que faz a morta no rigoroso filme de Libia Gómez-Diaz sobre o esforço de um marido pobre para enterrar a mulher que morreu.

As coisas se complicam na competição brasileira, formada por pouquíssimos filmes inéditos. Mais da metade da seleção já foi exibida e até premiada em outros foros. Mais do que arriscar palpites, ou sinalizar preferências, talvez se deva destacar duas ou três características da seleção desse ano, seja da competição latina, da brasileira, ou de ambas. Muitos filmes tratam de relações familiares, e de pais e filhos. Nos melhores, os atores tornam-se (co)autores por seu domínio do texto e capacidade de improvisação. 

E cabe acrescentar que está sendo um festival de grandes interpretações infantis (e juvenis). Um filme que cresceu bastante desde sua apresentação no Festival do Rio do ano passado foi O Último Cine Drive-in, de Iberê Carvalho. Pode aspirar a prêmios importantes, inclusive o de melhor ator para Breno Nena. E não se pode esquecer do longa gaúcho, considerado o mais ousado da competição brasileira. Ponto Zero, de José Pedro Goulart, chegou a ser comparado a Terrence Malick, o que dá a medida de sua ambição estética.

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