Festival de Curtas resume gênero em cinco filmes

Existencialismo, cultura pop, crítica, experimentalismo, besteirol. A abertura do 11º Festival Internacional de Curtas de São Paulo (veja abaixo link para site oficial), que aconteceu ontem no Cinesec, pode ser considerado um bom resumo do que será o festival em toda sua amplitude. Faltou quem representasse a produção da Mostra Latino-americana (não-brasileira), bem como a mostra Curtas Viajantes, e, principalmente, alguma animação - lapso maior, dada a importância que o gênero vem adquirindo neste e em outros festivais. Mas todo o resto estava lá, de certa forma, inserido numa das facetas de algum dos filmes apresentados.O Cinesesc ficou cheio de gente para ver o curta Da Origem do Século XXI, realizado em vídeo digital pelo francês Jean Luc-Godard. Este curta esteve em Cannes, também abrindo o festival, e até então era inédito no país. Por meio de um pastiche de imagens jornalísticas, trechos de filmes e imagens de uma frança bucólica tragadas pela lente analítica e reflexiva de Godard, faz-se uma análise remessiva daquilo que marcou o século passado e certamente, deixará suas lembranças ao século 21 e a todos os outros que virão. O filme, que precede o também inédito Pour Une Histoire du XXIème Siècle, amarra as imagens de guerras e de filmes - como Le Plaisir (Max Ophüls) e Gigi (Vincente Minnelli) - com narrações de passagens célebres de autores franceses, incluindo Maupassant.O curta irlandês Dream Kitchen, de Barry Dignan, foi uma boa mostra do que a inteligente acidez do humor britânico (sempre divulgada exclusivamente pelos ingleses) reserva para o festival. Conta a história de um jovem que não suporta sua definhada família e imagina uma situação impossível, acontecida dentro de uma conzinha mais impossível ainda - a tal dos sonhos que está no título.O francês Cinema Africano? é um micro-documentário que nos coloca a par do conflito constante pelo qual passam os cineastas africanos, e encandece com otimismo o espírito lutador destes realizadores. Apesar de ser francês, o curta de François Kotlarski e Eric Münch é um reflexo claro da sinceridade dos filmes do continente, que consegue realizar estas e outras artes como qualquer lugar do mundo, ainda que em dificuldade de produção e divulgação. O americano George Lucas Apaixonado é um besteirol extremamente criativo. No filme de Joe Nussbaum é relatada de maneira ficcional a epopéia que o cineasta teria passado para escrever o roteiro da série Star Wars, ainda quando estava na faculdade de cinema. O curta do gaúcho Gustavo Spolidoro, Outros, ganhador do Prêmio da Crítica e Melhor Direção de Curta 35 milímetros em Gramado, animou novamente o público - como já havia feito no sul -, deixando todos também impressionados com sua filmagem em plano-seqüência (gravação sem edição) de 14 minutos. Na história, diversas pessoas se cruzam numa avenida de Porto Alegre, todas calibradas pela filosofia da "cagada" do personagem motorista, dando margem a acontecimentos surreais e bem humorados.

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