Festival de Curitiba homenageia Nelson, Glauber e Ruy

A sexta edição do Festival de Cinema, Vídeo e Cinema Digital (Dcine) de Curitiba tem início, hoje, com a exibição do longa argentino Um Amor de Borges, de Javier Torre, e mostra competitiva dividida em três categorias: filmes universitários (realizados por estudantes de cinema), curtas brasileiros e Festival dos Festivais (curtas e vídeos já premiados em outros eventos).No campo da reflexão, o festival curitibano promoverá seminário sobre Os Desafios da Crítica Cinematográfica, tendo Paulo Emílio Salles Gomes (1916-1977) como homenageado, e conferencistas como Jean-Claude Bernardet, Ismail Xavier, Ivana Bentes, Inácio Araújo, Décio Pignatari, José Castello, Luiz Carlos Merten e Luiz Zanin Oricchio. No foco dos debates, a crítica jornalística, feita no calor da hora, e a crítica universitária, ensaística e mais profunda. Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha (1939-1981) e Ruy Guerra, nomes de ponta do Cinema Novo, serão homenageados com a projeção dos filmes Vidas Secas e Memórias do Cárcere (Nelson), Deus e o Diabo na Terra do Sol (Glauber) e Os Cafajestes e Os Fuzis (Ruy Guerra). Nelson será duplamente homenageado, pois um dos concorrentes da mostra de curtas - Como Se Morre no Cinema, de Luelane Correia - relembra as filmagens de Vidas Secas, ocorridas em 1962, no sertão nordestino. E o faz através da inusitada memória do papagaio "degolado" por Sinhá Vitória (Maria Ribeiro) em suas peregrinações pela caatinga, ao lado de Fabiano (Átila Iório), dos filhos e da cachorra Baleia.Para estabelecer ponte com o cinema ibero-americano, o Festival de Curitiba realizará, em parceria com a Cinemateca do Museu Guido Viaro, Mostra de Filmes Latinos. Serão exibidas produções espanholas, mexicanas, uruguaias, chilenas, peruanas e cubanas (a maioria curtas de alunos da Escola Internacional de Cinema de San Antonio de los Baños/Cuba). Paralelo à mostra, haverá debates e palestras de convidados como Ignácio Ortiz (México), Tito Almeijeiras (Cuba-Brasil), Martín Papich (Uruguai), Miguel Dias (Portugal) e Ambrogio Artoni (Itália). Entre os longas latinos, dois merecem destaque: Corazones Rotos, de Rafael Montero, espécie de Short Cuts azteca, e 25 Watts, dos jovens uruguaios Juan Pablo Rebella & Pablo Stoll.Competição - O Festival de Curitiba distribuirá prêmios para curtas e vídeos brasileiros e para o melhor filme realizado por estudantes universitários. Para evitar que títulos já premiados em outros festivais (caso de A Canga, Retrato Pintado, Patativa, Palíndromo, Glauces, BMW Vermelha e Passageiros de Segunda Classe) ofusquem novas produções, o comando do festival acatou sugestão de Ruy Guerra e criou a competição Festival dos Festivais. Sem prêmios técnicos, a categoria só tem um vencedor: "o melhor dos melhores", segundo o júri curitibano.Entre os curtas que disputarão o Troféu Pinhão destacam-se Um Sol Alaranjado, de Eduardo Valente (representante oficial do Brasil na mostra Cinéma Fondation, do Festival de Cannes); o delicioso Dadá, de Eduardo Waisman (sobre o cotidiano de três atores adolescentes do grupo Nós do Morro); Homem Voa?, de André Ristum (sobre Santos Dumont); e Clandestinos, de Patrícia Moran.Não há, no festival paranaense, mostra competitiva de longas-metragens. Nesta categoria, serão apresentadas - a título informativo - nove produções. A mais esperada delas - pois ainda não chegou ao circuito comercial paranaense - é O Invasor, de Beto Brant. O cineasta estará presente à sessão, em companhia do ator Paulo Miklos, premiado como "revelação" nos festivais de Brasília e do Recife. Na noite de encerramento (na terça-feira) será apresentado o documentário Viva São João, de Andrucha Waddington, que tem Gilberto Gil como mestre-de-cerimônia e o sertão nordestino como cenário.Completam a lista, os longas Sonhos Tropicais, de André Sturm; A Vida em Cana, de Jorge Wolney Atalla; O Grilo Feliz, de Walbercy Ribas; Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho (que será exibido na presença da atriz curitibana, Simone Spoladore); Netto Perde Sua Alma, de Tabajara Ruas & Beto Souza; Bellini e a Esfinge, de Roberto Santucci Filho, e Timor Lorosae, o Massacre Que o Mundo não Viu, de Lucélia Santos.Durante o Festival serão lançados os livros O Cinema Brasileiro Moderno, de Ismail Xavier; A Aventura do Cinema Gaúcho, de Luiz Carlos Merten; No Coração das Perobas, de Domingos Pellegrini; O Invasor, de Marçal Aquino; A Personagem Homossexual no Cinema Brasileiro, de Antônio Moreno; Céu em Transe, de João Acuio; e novos números da Revista de Cinema (Editora Krahô); Cinemais (revista de ensaios cinematográficos); Sinopse (da ECA-USP) e Contracampo (revista eletrônica mantida por estudantes de Cinema da UFF).Dois trabalhos realizados em oficinas cinematográficas, promovidas pelo Festival de Curitiba, serão apresentadas ao público: Guaíra - Entranhas, produção coletiva de 35 alunos, sob coordenação de Kátia Mesel, e curta ficcional produzido, sob supervisão de Geraldo Moraes, ao longo da semana, por 40 alunos.

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