Festival de cinema universitário homenageia Bernardet

O comando do Festival Brasileiro de Cinema Universitário promove, hoje, no circuito Rio-Niterói, em clima de euforia, a noite inaugural da sétima edição do evento. A alegria vem do fato de que o curta Um Sol Alaranjado, realizado por Eduardo Valente, um dos fundadores do festival, acaba de ganhar o Prêmio Cinéfondation, no Festival de Cannes. O filme premiado será exibido na terça, às 19 horas, no CCBB do Rio e na quarta, às 21 horas, no Teatro da Universidade Federal Fluminense (UFF).O festival, que nasceu em Niterói, e agora acontece dos dois lados da ponte (no CCBB-Rio e no Espaço Cultural da UFF), desta vez presta homenagem a Jean-Claude Bernardet. "A cada ano", conta Cristian Borges, do comando do Festival, "homenageamos um professor-realizador. Este ano, o escolhido foi Bernardet, professor da ECA-USP e diretor dos documentários São Paulo, Sinfonia, Cacofonia e Sobre os Anos 60.A folha de serviços prestados por Jean-Claude ao cinema brasileiro é imensa. Ele, que nasceu na Bélgica e viveu na França até os 13 anos, chegou ao Brasil em 1949. Aqui escreveu uma dezena de livros, lecionou na USP e na UnB, foi ator (Anuska, O Profeta da Fome, Orgia, Ladrões de Cinema, O Espectador) e colaborou na roteirização de vários longas de Sérgio Person, João Batista de Andrade e Tata Amaral.Além de exibir os dois documentários realizados por Jean-Claude (Sinfonia, Cacofonia é um ensaio visual sobre a cidade de São Paulo, vista pelo cinema, e Sobre os Anos 60, ensaio sobre a efervescência cultural do Brasil na década), o FEST Universitário vai mostrar O Caso dos Irmãos Naves (Person), Gamal, Delírio do Sexo e Paulicéia Fantástica (João Batista), Orgia, o Homem Que Deu Cria (Trevisan), Um Céu de Estrelas e Através da Janela (Tata Amaral), entre outros.Na sessão inaugural, após a exibição de cópia restaurada do curta Universidade Fluminense (Sérgio Santeiro), haverá homenagem formal (embora ele deteste atos dessa natureza) a Jean-Claude. Amanhã, depois da exibição dos dois longas que escreveu para Tata Amaral, o professor-cineasta participará de um debate. Compromissos em universidade francesa o levarão a Paris. "Jean-Claude só poderá passar dois dias conosco", pondera Cristian Borges, "mas serão muito produtivos. Além do mais, até o fim do festival, no dia 9, assistiremos a curtas (O Espectador), médias e longas que contam com sua colaboração em diferentes funções".Até a sexta edição, o FEST Universitário promovia mostras competitivas somente de produções realizadas em película. Os vídeos eram mostrados, mas não disputavam prêmios. "A partir deste ano", avisa Cristian, "haverá competição nas duas categorias, pois, infelizmente, a experiência nos mostra que, se não há competição, restringe-se o interesse dos realizadores e do público". Para evitar que a disputa por prêmios seja o valor maior do festival, seu comando conceitual exige que jurados aceitem a função conjugada ao cargo de debatedor."No começo", relembra Cristian, "alguns jurados mostraram resistência à dupla função. Depois de participar de debates com os realizadores e o público, se motivaram e gostaram da experiência. Hoje não temos mais problemas." No júri deste ano, está o cineasta Luiz Rosemberg (de Crônica de Um Industrial e A$$untina das Américas).Os prêmios oferecidos também diferem dos atribuídos pelos eventos tradicionais (como Brasília ou Gramado). Não se premia "o melhor dos melhores" nem o melhor ator, atriz ou fotógrafo. O festival criou seis "prêmios temáticos" para cinema e seis para vídeo (contribuição artística, contribuição técnica, expressão cultural, expressão poética, etc). Mas, para não fugir por demais dos outros festivais, a turma arrumou curiosa alternativa: o Projeto Sal Grosso.Anos atrás, alunos da UFF, USP e Faap se uniram e realizaram, em Cabo Frio, no litoral fluminense, o curta Sal Grosso. Para homenagear a empreitada coletiva, o FEST Universitário criou prêmios para categorias técnicas (fotografia, roteiro, montagem, som). Os melhores em cada uma dessas áreas são chamados para realizar filme coletivo a ser produzido pelo Festival e exibido na edição do ano seguinte. Quarenta e nove curtas disputam os prêmios do Festival. Os destaques são O Telepata, realizado em Santos a partir de crônica de Plínio Marcos; Duralex Sedlex, dos mineiros Marília Rocha/Luciana Tanure/Henrique Silveira; Vontade, de Manoel Rangel; Mais um Eterno Amor, de Flávio Dezorze; Bípedes, de Caetano Caruso; Glória e Memória da Cana, de Julio Mauro, e Gosto Que Me Enrosco, de Bruno Safadi.

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