Foto: Rogerio Resende/Divulgação
Foto: Rogerio Resende/Divulgação

Festival de Cinema do Rio começa com 'As Viúvas', Mujica e Caetano

Até o dia 11, o festival que corria o risco de não ser realizado em 2018 vai exibir cerca de 200 filmes

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

02 Novembro 2018 | 17h52

RIO - No palco do monumental Cine Odeon, em plena Cinelândia, as diretoras do Festival de Cinema do Rio, Ilda Santiago e Walkiria Barbosa, não deixaram por menos. “Precisamos agradecer, e muito, à dedicação dos amigos e colaboradores, porque este ano o festival esteve ameaçado de não sair. Se não fosse a corrente de solidariedade que se formou para tornar essa noite possível, não estaríamos aqui.” O Festival do Rio chega à sua 20.ª edição mais enxuto, com menos filmes, mas dando à Cidade Maravilhosa o abraço que merece.

Dessa quinta, 1.º, até dia 11, serão cerca de 200 filmes – 100 a menos que na Mostra de São Paulo. Ninguém consegue ver tantos filmes num tempo que é limitado. E o que não falta são os highlights, os pontos altos. O festival abriu-se com o novo Steve McQueen, que não pôde vir, mas enviou uma mensagem. “Hello, Rio!” Como disse a representante da Fox do Brasil, As Viúvas “é outra história de mulheres poderosas, como essas duas”, referia-se a Ilda e Walkiria.

Logo na abertura, uma perseguição resulta na explosão de uma van e na morte de um grupo de assaltantes. Viola Davis faz a ex-mulher de Liam Neeson. Passa a ser cobrada pelo dinheiro que o marido teria roubado, e no meio de uma acirrada disputa eleitoral. Viola reúne as viúvas dos demais integrantes do grupo original, e partem para um grande roubo. Sim, elas conseguem. Alguma dúvida? Conseguem como Ilda, Walkiria e os demais companheiros de colegiado conseguiram levantar o 20.º Festival do Rio.

O empoderamento na ordem do dia– no palco e na tela. Não só mulheres, meninas poderosas. Neste fim de semana, a diretora indie Crystal Moselle estará no Rio para apresentar seu longa Skate Kitchen e conversar com a imprensa. O filme é uma produção da Bow + Arrow, Arco e Flecha, com a RT, Rodrigo Teixeira Features. Crystal invade com sua câmera o universo predominantemente masculino do skate. Acompanha uma garota que vem de uma família disfuncional e se integra a um grupo de jovens que, como ela, querem fazer parte desse mundo. O problema é que os garotos são, como se diz, “escrotos”. A protagonista pisa na bola, faz seu duro aprendizado de skate, e de vida. Sexo, drogas, skate e... rap. Som pesado, manobras radicais, mas, como diz Rachelle Vinberg, contracenando com Jaden Smith o filho de Will , “existem momentos de dor em que a solidão parece que vai sufocar, e não importa que você esteja cercado(a) de gente.”

Crystal usa sua história para falar de família. O pai da garota negra não interfere no baseado dela e ainda faz comida para suas amigas. O que é a família, quando não está baseada em laços de sangue? Tem de ser fundada no afeto, no respeito. “Amigas não traem”, grita a garota que se sente usada, e desrespeitada.

Não é mera coincidência que justamente na sexta o Festival do Rio já tenha apresentado a primeira exibição do documentário El Pepe, que o grande Emir Kusturica dedicou ao ex-presidente uruguaio José Mujica. Depois da ficção – A Noite de 12 Anos –, o documentário. Mujica não é só o presidente que liberou a maconha, para uso medicinal, no Uruguai. Possui uma visão humanista do mundo. Kusturica ama seus biografados, Maradona, Pepe. Faz filmes apaixonados. Ame-os ou deixe-os.

O Festival do Rio tem dessas preciosidades. E onde mais você veria Caetano Veloso, anônimo, na sessão da meia-noite? Mais celebridade que qualquer um que tenha pisado no tapete vermelho do Odeon, Caetano preferiu ver As Viúvas na sessão da meia-noite, que se seguiu à abertura para convidados. Comprou ingresso e fez a fila.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.