Festival de cinema do Recife privilegia cultura popular

Há muitos festivais de cinema brasileiro espalhados pelo País. Brasília e Gramado podem ser mais os tradicionais, mas o do Recife possui uma característica muito especial. As sessões ocorrem no Cine-Teatro Guararapes, um centro de convenções (em Olinda) adaptado para funcionar como sala de exibição. São mais de 2 mil lugares. Quando há superlotação e as pessoas sentam pelos corredores, chega-se quase aos 3 mil. É um público entusiasta e participativo, que deu ao Recife a fama de sediar o maior festival popular de cinema do Brasil. Começa nesta segunda-feira mais um Festival de Cinema do Recife. É o de número 6. Doze longas integram a mostra competitiva, concorrendo ao troféu Passista. São, no total, 18 premiações - 11 na categoria de ficção (filme, direção, roteiro, fotografia, som, montagem, trilha, ator, atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante), mais 7 na de documentário (melhor filme, direção, roteiro, fotografia, som, montagem e trilha). Há também 30 curtas em competição - 14 na categoria de ficção em 35 mm, mais 4 em 16 mm, 8 documentários e 4 animações. A relação completa de longas está publicada no texto ao lado. Alguns desses filmes já estrearam em São Paulo e no Rio, outros já integraram a mostra competitiva de diferentes festivais (e foram até premiados). Inéditos mesmo, no País, só dois títulos - Sonhos Tropicais, de André Sturm, e As Três Marias, de Aluizio Abranches, o diretor de Um Copo de Cólera. Passam, respectivamente, na sexta e no sábado. Também na sexta, passa outro filme com chance de levantar a platéria recifense - o documentário Viva São João!, de Andrucha Waddington, com (e sobre) Gilberto Gil. Um dia antes, Beto Brant deve arrebentar com O Invasor, seu filme interpretado pelo titã Paulo Mikos que Hector Babenco, para citar apenas um exemplo, considera o melhor filme brasileiro dos últimos tempos. A mostra competitiva começa nesta segunda com dois títulos: o documentário Timor Lorosae - O Massacre que o Mundo Não Viu, de Lucélia Santos, e a ficção Três Histórias da Bahia, de Eyala Iglesias, José Araripe Jr. e Sérgio Machado. Terça-feira começam os eventos paralelos. Um deles, organizado pelo Centro Josué de Castro, do Recife, vai discutir a utilização que o profeta da luta contra a fome fez do cinema para divulgar suas idéias. Por isso mesmo chama-se Josué de Castro, Cineasta. No domingo, encerrando o evento, a tradicional exibição de um filme fora de concurso será substituída por uma proposta de grande relevância artística e social: o homenageado do festival, o escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, dará uma aula-espetáculo, a partir das 21 horas. A homenagem ao autor de Auto da Compadecida e A Pedra do Reino inscreve-se no quadro geral deste 6.º festival, que tema como tema Cinema Nordestino - A Cultura em Projeção. Antônio Fagundes, que interpretou a primeira versão cinematográfica do Auto, nos anos 1960, e Othon Bastos também serão homenageados. Orçado em R$ 1,4 milhão, o Festival de Cinema do Recife tem patrocínio da BR Distribuidora, da Eletrobrás e da Prefeitura da Cidade do Recife. O diretor-geral é Alfredo Bertini, que programou sete dias de projeções, debates e oficinas. Entre as mostras paralelas, o Festivalzinho vai contemplar o público infantil, o Cinema no Parque levará os filmes às ruas e o Cinema Digital privilegiará as novas tecnologias. Como ninguém é de ferro, na quinta, logo após a projeção de O Invasor, um grande forró vai botar a comunidade cinematográfica para dançar.

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