Festival de Cinema de Brasília dá a largada

O 37.º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começa hoje à noite, com quatro filmes totalmente inéditos, entre os seis longas-metragens que concorrem aos prêmios do festival. Peões, documentário de Eduardo Coutinho, que estréia na sexta nos cinemas do País, e O Diabo a Quatro, de Alice Andrade, tiveram algum tipo de contato com o público - e com a crítica. Alice, filha do diretor do Cinema Novo Joaquim Pedro de Andrade, leva a Brasília seu longa de estréia já exibido nas Mostras de Cinema do Rio e de São Paulo. Já os outros quatro selecionados para Brasília são novidades absolutas, das quais quase nada se pode dizer a priori. Entre eles, o paulista Cabra-Cega, de Toni Venturi, diretor de um documentário sobre Luiz Carlos Prestes, O Velho, e de um filme de ficção anterior, Latitude Zero. Agora, Toni volta à ficção, ambientando sua história na luta dos militantes de esquerda contra o regime militar brasileiro. O outro longa-metragem que concorre por São Paulo é 500 Almas, de Joel Pizzini. O diretor mergulha na cultura guató, tribo que vivia dispersa na região do Pantanal mato-grossense. Tidos como extintos durante muitos anos, os guatós foram redescobertos pela missionária Alda Gambarotto e tiveram sua existência como nação reconhecida. Quem conhece Pizzini sabe que pode esperar dele mais do que um documentário convencional sobre o "bom selvagem" brasileiro.Bendito Fruto, estréia na direção de Sérgio Goldenberg parte de um fait divers carioca, um botijão de gás que explode e tem a tampa arremessada sobre um táxi. O fato saiu nos jornais e inspirou o diretor para essa história entre dois antigos colegas de escola que se reencontram na maturidade: o cabeleireiro Edgard (Otávio Augusto) e a viúva Virgínia (Vera Holtz). Cascalho, o outro concorrente, vem da Bahia e é assinado pelo experiente Tuna Espinheira. Com Othon Bastos no papel principal, fala de ambição e de lutas no garimpo de Diamantina. Tuna é veterano documentarista e, com essa adaptação de Herberto Sales, faz a sua estréia no longa de ficção. Pelo que se vê, muda o perfil do Festival de Brasília em relação ao ano passado. Na edição anterior, os veteranos deram o tom com nomes como Julio Bressane, Maurice Capovilla, Carlos Reichenbach, Silvio Tendler, Rogério Sganzerla e Sylvio Back entre os concorrentes. Neste ano, a fórmula é mista.Fora de concurso - Mais dois longas-metragens estão programados para o festival, esses fora de concurso: o longa de abertura, As Vidas de Maria, de Renato Barbieri, e Entreatos, de João Moreira Salles. O filme de Barbieri será apresentado amanhã à noite no Teatro Nacional Claudio Santoro e acompanha a vida da cidade através da personagem Maria, que nasceu no dia da inauguração de Brasília. Ao longo da semana de competição, os concorrentes serão apresentados no Cine Brasília, que costuma ficar abarrotado. Na noite de encerramento, o festival volta ao Teatro Nacional para a cerimônia dos prêmios e para a apresentação de Entreatos, polêmica visão de bastidores da campanha eleitoral de Lula à Presidência em 2002.LONGAS EM COMPETIÇÃOFilmesDiretorEstado500 AlmasJoel PizziniSPCabra-CegaToni VenturiSPPeõesEduardo CoutinhoRJCascalhoTuna EspinheiraDF/BABendito FrutoSergio GoldenbergRJO Diabo a QuatroAlice de AndradeRJ

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