Festival de Cinema Brasileiro começa hoje em Paris

Pelo sexto ano consecutivo, a Associação Jangada realiza o Festival do Cinema Brasileiro de Paris. Considerada uma espécie de "embaixada informal" da cultura brasileira na França, a associação criou essa importante janela que vem permitindo a atualização do público com a produção nacional. São exibidos desde clássicos até obras mais recentes. Muitas delas não chegam ao circuito exibidor da França e dependem do evento para se tornar conhecidas. No ano passado, 7 mil espectadores assistiram aos filmes projetados no cine l´Arlequin. Cinco deles foram negociados com exibidores franceses. O festival deste ano, que começa hoje, vai exibir cerca de 30 títulos. Nove vão integrar a mostra competitiva, 12 são curtas, que também concorrem ao prêmio do formato, e os restantes integram uma homenagem que o Festival do Cinema Brasileiro de Paris presta ao Rio de Janeiro.Kátia Adler é a alma do festival. Foi um ano especial para ela. Kátia se tornou mãe de gêmeas e esta foi a parte legal. A difícil ficou por conta do dinheiro. Orçado em R$ 1 milhão, o festival tinha patrocínio da BR Distribuidora. Com a mudança de governo, o evento deixou de ser prioritário e a verba foi cortada. Quando Kátia conseguiu o aval da Petrobrás, o tempo já era curto. E a verba concedida foi muito menor. "Tivemos de nos virar com o que conseguimos", explica. A conseqüência é que os cerca de 30 convidados de 2003 foram reduzidos a menos que a metade.Nove filmes vão concorrer ao troféu Jangada - O Caminho das Nuvens, Desmundo, Deus É Brasileiro, Fala Tu, Filme de Amor, O Homem Que Copiava, Onde Anda Você?, O Vestido, Paulinho da Viola e O Prisioneiro da Grande de Ferro. Mais dois filmes serão exibidos, fora de concurso - Carandiru, hoje, na abertura, às 20 horas, e Contra Todos. Como curiosidade, vale destacar que o segundo, de Roberto Moreira, também integra a mostra do Festival do Recife, que começa amanhã. Entre os filmes que celebram o Rio, os parisienses poderão ver Os Cafajestes, de Ruy Guerra, considerado um dos marcos deflagradores do Cinema Novo - com a célebre cena da nudez frontal de Norma Bengell - e Veja Esta Canção, de Cacá Diegues. No encerramento, dia 4, serão exibido, na sala de Saint Germain, curtas mudos realizados no Rio, nos anos 1920, com acompanhamento musical do pianista Carlos Eduardo Pereira.

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