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Festival de Cinema Argentino mostra filmografia recente do país vizinho

Público terá a chance de assistir a cinco longas que não têm exibição comercial garantida no Brasil

IGOR GIANNASI - Jornal da Tarde,

01 de junho de 2012 | 11h10

O cinema argentino já é o queridinho de muitos espectadores brasileiros, especialmente as produções estreladas pelo ator Ricardo Darín, como o recente Um Conto Chinês. Agora, o público terá a chance de assistir a cinco representantes da filmografia recente do país vizinho no 1° Festival de Cinema Argentino, que não têm exibição comercial garantida por aqui. A mostra é promovida pela rede Cinemark, em parceria com o Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (Incaa), similar argentino à nossa Ancine, em curtíssima temporada, de hoje a quarta-feira, no Shopping Cidade Jardim, com duas sessões diárias.

A programação será aberta hoje com Las Acácias, primeiro trabalho do diretor Pablo Giorgelli. Premiado com a Câmara de Ouro do Festival de Cannes do ano passado, o longa mostra a viagem do caminhoneiro de poucas palavras Rúben (Germán de Silva) que dá carona a uma mulher, Jacinta (Hebe Duarte), a pedido do patrão, do Paraguai a Buenos Aires. Ele se irrita pelo fato da moça, inesperadamente, levar com ela a filha Anahí, de cinco meses (Nayara Calle Mamani), que rouba a cena com sua graciosidade e olhar expressivo. “O bebê começa a provocar a transformação do caminheiro”, conta o diretor, que veio a São Paulo nesta semana.

Ao todo, Giorgelli levou cinco anos para concluir o projeto, cujo roteiro começou a ser escrito em 2006, momento em que passava por turbulências familiares - seu pai estava doente - e profissionais, já que estava sem trabalho, por conta dos reflexos da crise econômica na Argentina. “O filme fala sobre a paternidade e a dificuldade para se comunicar e tem a ver com crises pessoais”, diz o cineasta de 44 anos, que será pai neste ano: sua mulher está grávida de cinco meses.

Giorgelli destaca a importância de seu trabalho integrar a programação. “É muito difícil mostrar nossos filmes no Brasil e na América Latina. O mesmo se passa na Argentina. Não nos chegam filmes de outros países da América Latina. Vemos cinema americano e da Europa, mas é muito difícil ver filmes latino-americanos.”

O jovem cineasta Nicolás Gil Lavedra, de 28 anos, também veio divulgar sua estreia na direção de longas-metragens: Verdades Verdaderas, la Vida de Estela (Verdades Verdadeiras, a Vida de Estela). O trabalho, segundo seu diretor, lança uma ótica diferente sobre a ditadura militar argentina, que durou entre 1976 e 1983, ao contar a história da ativista de direitos humanos Estela Barnes Carlotto (Susú Pecoraro, que também esteve em São Paulo), uma das fundadoras do movimento Avós da Praça de Maio, que luta para descobrir o paradeiro dos filhos de manifestantes que foram sequestradas pelos militares argentinos.

Lavedra afirma que, como argentino, não poderia ter escolhido outro tema para o primeiro filme. “Em um país onde 400 crianças estão desaparecidas, não pensava em outra coisa”, diz o rapaz, filho de um juiz que julgou os militares logo após a redemocratização do país, e de uma assistente social. Ele se diz feliz em mostrar seu trabalho no Brasil. “Nossos países têm histórias muito similares. Ambos sofremos ditaduras, com desaparecidos. Então poder compartilhar esse tipo de filme com as pessoas para que conheçam um pouco de nossa história é muito bom."

Centelha portenha

Esta primeira mostra marca a comemoração dos 15 anos do Cinemark . “A boa aceitação que os filmes argentinos têm aqui no Brasil fez a gente entender que era um bom momento para unir os países e viabilizar esse festival”, comenta Bettina Boklis, diretora de marketing da rede. Segundo ela, a ideia foi mesmo organizar um evento pequeno e, possivelmente, aumentar sua dimensão mais adiante. Após São Paulo, a programação passa por Rio de Janeiro, Florianópolis e Porto Alegre.

“A ideia comum, por parte do Brasil e da Argentina, é que isto possa se repetir todos os anos. O tempo dirá e a resposta do público também, obviamente”, diz a representante da Incaa Maria Nuñez, que veio a São Paulo promover o festival. Para ela, esta é uma oportunidade de trazer uma produção menos massiva do cinema argentino para o público brasileiro, com uma amostragem variada, com comédia, drama e títulos de produção independente, como é o caso de Las Acácias. No coquetel de lançamento do festival, na quarta-feira, o presidente do Cinermark Brasil, Marcelo Bertini, falou da intenções de viabilizar, com apoio da Ancine, uma versão do mesmo festival na Argentina, com filmes brasileiros.

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