Festival de Cannes revela nova onda na propaganda

O Festival Internacional de Publicidade de Cannes 2006 marcou uma nova onda na indústria mundial de propaganda, que movimenta US$ 300 bilhõesanuais. A palavra de ordem agora é integração de mídia, de plataformas de distribuição de conteúdo.Foi-se a fase da compra de agências depublicidade, que ganharam sobrenomes que parecem sopas de letrinhas, como DM9DDB, Almap/BBDO, Neogama/BBH e F/Nazca S&S, e está aberta a temporada de aquisições de empresas que prestam serviços de comunicação, sobretudoem novas mídias que visam essa integração e reforçam a distribuição de conteúdo, como intenert, jogos, marketing direto e promocional. O próprio presidente do festival, Terry Savage, informou que a criação da categoria Promo Lions este ano, que premia os melhores casos de marketing promocional, é um reflexo dessa mudança e do interesse da indústrias porestas novas estratégias, onde grandes eventos, por exemplo, se tornaram veículos de exposição de marcas, a exemplo da turnê dos Rollings Stones,de Madonna, da própria Copa e da Olimpíadas. No ano passado, o festival já havia incluído o rádio e em 2002 o marketing direto na sua premiação..O Brasil está inserido nessa nova onda, assim como a China, a Rússia e a Índia. O presidente mundial do Grupo WWP, um dos mais importantes do setor, dono de redes como Ogilvy, JWT, Grey e Young & Rubicam, Sir Martin Sorrell, disse ao Estado que a ordem são aquisições no País, sobretudo de empresas voltadas a esses segmentos novos e complementares à publicidade tradicional..Sorrell não está sozinho na empreitada. Jean-Françoi9s-Decaux, o homem da JCDecaux, um dos maiores grupos de mídia exterior do mundo, também quer novos negócios na América Latina e Ásia. Ele acredita que os projetos de integração de estratégias de comunicação cada vez mais vão abrir espaço para a mídia exterior e vão exigir investimentos do seu grupo.Decaux citou o exemplo de contrato, no valor de US$ 50 milhões, que assinou com o HSBC,para mída em aeroportos. "O mobiliário urbano deveexistir para prestar um serviço ao consumidor, e também pode ser um excelente canal de distribuição". Tom Freston, presidente mundial do Grupo Viacom, que tem entre suas empresas a MTV, diz que 5% da sua receita hoje vem dos meios digitais dedistribuição, mas ele acredita que isso irá se ampliar rapidamente pormeio de celulares..Freston e Decaux participaram de seminário que reuniutambém, no Palais des Festivals de Cannes, os presidentes mundiais daPublicis, Maurice Levy, e Yusuf Mehdi, o homem de estratégia do MSN daMicrosoft Em comum, eles destacaram a força das novas mídias e a necessidade de investimentos, por meio de aquisições, nessas áreas.Para Maurice Levy, o fato de os consumidores estarem virando a sua própria mídia e um fenômeno que exigirá grande atenção de anunciantes e da indústria da propaganda.A afirmação de Levy é música nos ouvidos de Yusuf, que diz ser o MSN o principal canal desse novo meio, tanto que a Microsoft patrocina os leõesde Cyber entregues no Festival de Cannes, na tentativa de atrair a atenção do mercado publicitário para a sua base de distribuição de informações emtempo real em todo e qualquer lugar do mundo.O próprio leão de Titanium, que deve anunicado hoje, deve apontar na direção da integração de mídia, disse a vice-presidente da McCann-EricksonBrasil, Adriana Cury. "Se há uma tendência neste festival é a da integração de mídias".

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