Festival de Berlim dá a largada com "Man to Man"

O 55.º Festival Internacional de Cinema de Berlim começa nesta quinta-feira com a exibição de mais de 350 filmes, incluindo as 21 que disputam o Urso de Ouro e de Prata, e as 16 estréias mundiais, que serão exibidas ao longo do festival que vai de hoje a 20 de fevereiro, é chamado pelos alemães de Internationale Filmfestpiele, e conhecido internacionalmente como Berlinale. As demais seções incluem espaços prestigiados como o Fórum, o Panorama e o Kinderfestival, a mostra infantil.Caberá ao francês Régis Wargnier, de Indochina, a honra de abrir o festival, com a première mundial de seu novo filme, Man to Man, protagonizado por Joseph Fiennes (Shakespeare Apaixonado) e Kristin Scott Thomas, sobre a busca do elo perdido entre o macaco e o homem.O frio e a neve dão o tom de Berlim. O festival é mais introspectivo, menos badalado. A política predomina sobre o glamour, neste que é um dos três grandes festivais da Europa, ao lado de Cannes e Veneza. "Não queremos ser o festival mais quente, mas o mais agradável de todos", disse o diretor-geral do evento Dieter Kosslick. A título de curiosidade, vale destacar que somente agora, um ano depois, estreou na cidade o vencedor do Urso de Ouro de 2004 - Contra a Parede, do diretor turco-alemão Fatih Akin. Menos Hollywoodiano, o evento deste ano trará Will Smith, Keanu Reeves e Catherine Deneuve, entre outros. Fernanda Montenegro estará em Berlim. Vai acompanhar o filho talentoso, Cláudio Torres, que mostrará sua ópera barroca sobre os excessos da realidade brasileira, Redentor. Vencedora do Urso de Ouro de melhor atriz por Central do Brasil, de Walter Salles, Fernanda é cortejada como uma rainha na Berlinale. Walter Salles, o diretor que também venceu o Urso de Ouro - por Central do Brasil, melhor filme de 1998 -, participa do Berlinale Talent Campus, que promove a sinergia de veteranos e novos realizadores. O Talent Campus deste ano vai reunir 530 cineastas de 90 países, numa troca de informações cujo objetivo é fazer avançar o cinema, como instrumento de investigação e interpretação da realidade. Do cinema brasileiro haverá ainda uma exibição da versão restaurada de Terra em Transe, de Glauber Rocha. As cinematografias alternativas ao poderio hollywoodiano ganham o holofote. A França apresenta a seleção mais numerosa. Além do novo de Wargnier, marcam presença Robert Guédiguian (Le Promeneur du Champ de Mars, sobre o ex-presidente François Mitterrand), Alain Corneau (Les Mots Bleus), André Téchiné (Les Temps qui Changent) e Jacques Audiard (De Battre Mon Coeur S?Est Arreté). Do Japão virá Hidden Blade, de Yoji Yamada, lendário criador da série É Triste Ser Homem. Poucos filmes do Oscar vão passar na Berlinale e, ainda assim, não serão os principais. Hotel Rwanda, de Terry George, sobre genocídio na África, concorre a melhor ator, com Don Cheaddle. Kinsey, de Bill Condon, sobre o polêmico sexólogo que foi pioneiro na investigação do comportamento dos norte-americanos na cama, nos anos 1950, colocou Laura Linney na disputa pela estatueta de melhor atriz coadjuvante. E os dois serão exibidos fora de concurso.Nesta linha, será exibido na seção Panorama um documentário que está reacendendo a polêmica sobre pornografia nos Estados Unidos. Inside Deep Throat, de Randy Barbato e Fenton Bailey, sobre o filme Deep Throat, de 1972, con Linda Lovelace, levou o filme a reestrear nas telas norte-americanas por conta do documentário e tem causado nova onda de ataque dos congressistas americanos contra a baixariaOs filmes em competição serão julgados por um júri presidido pelo diretor alemão Roland Emmerich, o que não deixa de ser uma contradição, em termos. Emmerich, que assinou Stargate, Independence Day e Godzilla, distantes do cinema que praticava em 1984, quando estreou na Berlinale com The Noah?s Ark Principle. Duas importantes personalidades, o diretor coreano Im Kwon-Taek e o ator espanhol Fernando Fernán Gómez, recebem a distinção máxima do festival - o Urso de Ouro especial, por suas carreiras. E ainda haverá uma retrospectiva do estúdio japonês Shochiku, no qual se exercitaram grandes diretores como Masaki Kobayashi e Mikio Naruse, sem falar no jovem Nagisa Oshima, no começo de sua fulgurante carreira, com Juventude Desenfreada e O Túmulo do Sol, por volta de 1960.* O repórter viajou a convite da organização do festival

Agencia Estado,

10 de fevereiro de 2005 | 10h49

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