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Festival Brasil Stop Motion recebe o inglês Tim Allen

Animador de filmes como ‘A Noiva Cadáver’ e especialista na técnica se diz entusiasmado com o trabalho de brasileiros

Monica Bernardes, Especial para O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2014 | 03h00

RECIFE - Considerado um dos maiores profissionais da atualidade na área de animação cinematográfica, o inglês Tim Allen passou a última semana no Brasil participando da programação da quarta edição do festival Brasil Stop Motion, realizada no Recife. Allen foi o principal homenageado do evento, que contou com mostras de curtas, médias e longas-metragens, oficinas e palestras. Atuando com destaque em produções que fizeram bastante sucesso, como Frankenweennie, O Fantástico Senhor Raposo e A Noiva Cadáver, o animador é especialista na técnica de “stop motion” – termo inglês usado para denominar técnicas de cinema de animação que proporcionam a sensação de movimento por meio do encadeamento de fotos de objetos parados, levemente movidos ou modificados a cada quadro.

Durante sua temporada no Brasil, Allen aproveitou para conhecer a cultura e a culinária nordestina e encantou-se com a beleza do litoral pernambucano. Bem humorado, relembrou o início de sua carreira e deu e recebeu muita atenção por onde passou. Animado com a homenagem recebida, destacou a simpatia e o calor humano do público nacional. “Essa experiência tem sido incrível. Muito mais do que eu imaginava que seria. Desde que cheguei ao Brasil tenho recebido muito carinho, respeito e atenção. O reconhecimento demonstrado sobre o meu trabalho me impressionou bastante e me deixou muito feliz. Compartilhar as experiências com este público é sensacional. Sinceramente, é uma grande honra.”

Ao relembrar o início da carreira, o inglês deu alguns conselhos aos jovens que sonham em trilhar o caminho profissional em animação. “Eu sempre amei stop motion. Na universidade me esforcei bastante, mas meu trabalho nem sempre fazia sucesso com os professores (risos). Depois de três anos, me formei e comecei a procurar um emprego. Todas as empresas que visitei diziam que meu trabalho era bom, que eu era um cara legal, mas elas já tinham todas as pessoas de que precisavam. Então, trabalhei com limpeza, em festas infantis, como salva-vidas e em outros trabalhos temporários que ajudavam a pagar o aluguel e a gasolina para continuar visitando empresas de animação. Durante seis anos, fui pulando de empresa em empresa, fazendo principalmente séries para crianças. Foi quando ouvi falar que Tim Burton ia fazer um filme chamado A Noiva Cadáver. Foram necessárias três tentativas para eu conseguir uma entrevista. Da primeira vez em que eu fui rejeitado, eu meio que desisti, tinha que aceitar que simplesmente não ia acontecer comigo. Mas ouvi dizer que eles continuavam procurando e insisti. Da terceira vez em que enviei uma amostra do meu trabalho, me chamaram para uma entrevista. Eu consegui o emprego, então esse foi um dia feliz”, relembrou.

“Então se eu posso dar um conselho aos jovens gostaria de dizer que neste mundo, da indústria do desenho ou do cinema, muitas vezes os resultados demoram a aparecer. Mas isso não deve ser encarado como algo negativo. Diria ainda que eles devem procurar aprender, aprender e aprender. Praticar, praticar e praticar. Quanto mais fizerem isso, mais experiência eles terão. Conhecer e utilizar corretamente as técnicas existentes, inventar suas próprias técnicas, tudo isso é importante para o crescimento. Procurem várias empresas para fazer trabalhos diversos, porque quanto maior a diversidade, mais rica é a bagagem. Mas atenção, procurem empresas e gente sérias”, destacou.

Questionado sobre o mercado nacional de animação, Allen não escondeu o entusiasmo. “Tenho visto o trabalho de muitos brasileiros ao redor do mundo. A qualidade é impressionante. Há uma criatividade latente, que chama mesmo a atenção em várias áreas da animação. Já trabalhei com alguns brasileiros e todas as experiências foram muito boas. Acredito que é um espaço em expansão constante e ainda vamos ouvir muito falar deste pessoal nos próximos anos”, comentou.

Ao resumir-se como uma pessoa “feliz em seu trabalho”, o inglês destacou a alegria que sente ao ver o público apreciando seus projetos. “É muito bom dar vida a um personagem. Mas o melhor disso tudo é poder ver as pessoas assistindo e gostando, rindo, sentindo a emoção ou a tensão de cada cena. Para mim, animação tem a ver com obter a reação certa da plateia, fazê-los acreditar no que o personagem está fazendo. Se eu consigo fazer as pessoas acreditarem naquele momento do filme, acreditarem no personagem, sentirem o que ele sente, essa é a minha grande satisfação”, contou.

Bastante assediado durante sua estadia no Recife, o animador destacou um episódio, ocorrido na última quinta-feira, como um dos “mais emocionantes de sua vida”. “Recebi inúmeras demonstrações de carinho, afeto, respeito. Mas ontem (quinta-feira) à noite, quando estava sentado na plateia do cinema, assistindo a um dos filmes do festival, uma garotinha, chamada Vivian, chegou até a mim e me entregou um desenho que ela havia feito especialmente para mim. Um desenho lindo, onde ela colocou toda sua expressividade. Isso me tocou bastante. Ela me deu um trabalho seu e eu vou levar comigo com muito carinho e sempre me lembrarei disso”, concluiu Allen.

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